sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

pariu a todos


 

“Assunção Cristas diz que sector da água é “insustentável do ponto de vista económico”

Ela bem que rezava para que chovesse, agora percebe-se por quê. Também estará a pensar em privatizar a água da chuva? “La ley indicaba además que la población requeriría una licencia para recoger el agua de lluvia,”

“Ó Cristas, nina, o Saramago enviou-te uma mensagem, ora lê:

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

 José Saramago, “Cadernos de Lanzarote – Diário III” pag. 148

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A Républica das Putas


«A expressão não é original, mas o plágio é deliberado. Quando Josef Skvorecky escreveu o livro A República das Putas, havia na então Checoslováquia o sentimento de um país traído, entregue ou vendido a uma ideologia questionável, por uma classe dominante corrupta e por políticos que eram de facto putas, metafórica e literalmente. No caso de Portugal não houve tanques a entrar pelo país e a ideologia a que fomos vendidos será a outra, supostamente oposta. Mas de resto a história é tal e qual, especialmente no que diz respeito à qualidade e moralidade dos políticos.

E o pior é que paga o justo pelo pecador, ou pelo menos há pecadores, a nível mundial, que não pagaram nada. Até isto se resolver não me parece que faça grande sentido ser optimista, ou filosofar sobre o estado das letras e das ciências. Antes falar de tourada.

 Ainda deve haver por aí quem se lembre da Dona Branca, a autodenominada banqueira do povo. Para quem não sabe, era uma senhora que mais não fazia que comprar e vender dinheiro, fazê-lo circular, o que lhe era levado de novo era usado para pagar juros chorudos aos que já lá estavam, e cada vez havia mais. Ela arrecadava uma comissão, a coisa foi crescendo até que um dia PUM, foi tudo pelos ares. Recordo-me de uma Dona Arminda, que lavava as escadas lá do prédio, que perdeu as poupanças todas nestas andanças, ainda me lembro da senhora a chorar muito, faz-me lembrar o Portugal de hoje. E a Dona Branca inevitavelmente foi dar com os costados na prisão, coitada da senhora, estava muito avançada para a época, se fosse hoje davam-lhe um bónus de milhões, e teria uma posição de topo na Wall Street.

 Não sejamos hipócritas, já todos recorremos aos bancos, e houve tempos em que o mundo das finanças fazia algum sentido. Precisava-se de algo agora, a ser pago com dinheiro que se iria ganhar mais tarde, os bancos tratavam da necessária máquina do tempo financeira. Em Itália vai-se a uma terriola qualquer, e lá há-de estar a Caixa Agrícola de Montemerdini, ou lá o que for: emprestava para se comprar os adubos, as sementes, as alfaias, e quando se fazia a colheita pagava-se, ficava tudo contente, belos tempos. Eram tempos em que o capitalismo tinha um lado quase bom, ou pelos menos paternalista. Claro que a pobreza era extrema, e deixa lá as coisas correrem mal e logo se via quem passava fome. Mas o capital nesses tempos era usado para produzir riqueza real, e o sistema financeiro apoiava o processo, conduzia a coisas que se viam, que resultavam em produtos tangíveis e reais.

 O capitalismo de hoje é bem mais tenebroso. Os jogos financeiros contemporâneos são tão abstractos e autoreferenciais que trocando a coisa por miúdos mais não são do que comprar e vender dinheiro, como fazia a Dona Branca. Por razões que nunca entendi, muitas das galinhas dos ovos de ouro, em Londres e Nova Iorque, são físicos teóricos e matemáticos falhados, ex-colegas meus em alguns casos. Temos tido acesas discussões, mas numa coisa concordamos: a teoria do caos e o Lema de Ito que se lixe, aquilo é simplesmente jogar na lotaria. Como é que trocar acções por computador ao microssegundo, como se tem vindo a propor, pode corresponder a alguma operação económica real? Aquilo é verdadeiramente a Dona Branca: uma pescadinha de rabo na boca financeira, "financiar o financiamento das finanças financiadas", num jogo bem enterrado no umbigo da Wall Street e da City de Londres, um totoloto mundial mas com um belo seguro contra perdas: quando se ganha, ganham eles; quando se perde, pagamos todos, em cascata. E é aí que entram as tais putas, especificamente as nacionais.

 Ao longo dos anos vimos o país a endividar-se com coisas que eram precisas e coisas que não eram. Tínhamos um serviço nacional de saúde do terceiro mundo e uma taxa de mortalidade infantil a condizer, analfabetismo e subdesenvolvimento a níveis do Subsara... e as coisas mudaram dramaticamente nos últimos 20 anos. Saí de Portugal em 1989 e sempre que voltava via algo de novo que era genuinamente preciso: portos para pescadores, estradas ao nível europeu, uma enorme expansão do ensino, etc., etc. E claro que tudo isto custa dinheiro, mas podia argumentar-se que se a Europa não queria ter um país do terceiro mundo no seu seio que o pagasse.

 Mas onde a porca torce o rabo é que se via também uma orgia de infraestruturas desnecessárias: túneis nas entranhas da Madeira que levavam a lado nenhum, estradas em duplicado nos cus de judas regionais, coisas tão ridículas que davam vontade de rir. Foram-se fazendo obras públicas completamente faraónicas, de novo-rico que não sabe o que há-de fazer ao dinheiro. Tornava-se óbvio que se construíam infraestruturas, não para preparar o futuro, mas sim para alimentar o presente, numa cumplicidade corrupta entre Estado e empresas privadas, em que o último elo da cadeia era o mundo das finanças internacionais. E esses andavam entretidos com os seus jogos de totoloto, e quando a bolha rebentou lixou-se o proverbial mexilhão, tradução, nós.

Como Skvorecky notava, as "putas" que tinham antes vendido o seu país aos nazis eram as mesmas que agora acolhiam os soviéticos (e mais tarde, muito depois de o livro ser publicado, acolheriam o capitalismo selvagem, sem que ele o soubesse). O mesmo se passa no nosso caso: não tenham dúvidas de que em tempos de fascismo os nossos primeiros-ministros teriam sido rapazes de sucesso. Mas de certa forma estamos a bater no ceguinho. Se eles (e nós, por extensão) fizeram figuras tristes e agora estamos a pagar por isso, houve quem fez pior e se está agora a rir. Os usurários mundiais nem sequer construíram túneis inúteis: construíram castelos de valores inexistentes, que continuam a crescer e a alimentar a sua ganância. Até isto se resolver falemos de tourada, porque não faz muito sentido discutir o estado da nossa sociedade, e o demais, em 2013.

 Aliás, parece-me que a nossa sociedade estaria muito bem, muito obrigado, se não fosse este "pequeno detalhe" político e financeiro. Por exemplo: a sociedade portuguesa é muito mais sã do que a inglesa. Na Inglaterra, quem abre a boca inevitavelmente vomita uma etiqueta de classe social autenticada. Os famosos sotaques britânicos fornecem informações precisas sobre a classe, uma pena não se ensinar isto nas aulas de inglês do secundário que cá se apanham. E este simples facto cria uma quase ausência de mobilidade e interacção entre as classes; pior, torna as pessoas em estereótipos da sua classe social. Por exemplo, a classe operária inglesa força-se a seguir um cliché de ignorância e estupidez, atitudes racistas e xenófobas, contra a cultura e a educação. A sua imagem de marca é falar com erros de gramática que em Portugal só um atrasado mental cometeria... assim as classes superiores os têm vindo a controlar.

 Nada disto se passa em Portugal (e já agora na Grécia, onde se encontram camponeses analfabetos a pagar a educação dos filhos em Cambridge). Ainda fui daqueles que tiveram de ir fazer a inspecção para a tropa, estava já então em Inglaterra, e o que mais me impressionou foi que entre os 500 "mancebos" de pirilau de fora que lá estavam, não se sabia de que classe era quem (tirando os casos extremos de dois grosseiríssimos labregos e de um pretendente à coroa). Ora na Inglaterra nada disto seria assim, e com graves consequências: ao contrário de Inglaterra, se há cultura e identidade neste país, elas residem precisamente na classe trabalhadora. E diria que é este o maior potencial de Portugal: temos uma sociedade muito mais saudável, em termos de identidade e de classe, apesar de todos os problemas com que nos deparamos.

 Sim, éramos um país de pobres que passou temporariamente a um país de novos-ricos. Mas agora somos um país de novos-pobres: miúdos cheios de talento desempregados há dois anos, pessoal de ponta a emigrar para o estrangeiro, médicos educados cá a colmatarem as faltas de sistema de saúde inglês... um desperdício óbvio de uma geração. Em vez de usarmos estas fontes de rendimento, deixámos os tanques financeiros entrar pelo país, para aumentar os impostos e baixar os salários, já de si entre os mais baixos da Europa.

 Não sei se haverá soluções milagrosas, mas uma quebra total com o que se tem vindo a fazer é evidentemente necessária. Lembro-me de uma senhora perguntar a um médico meu amigo se podia usar água benta para a sua enfermidade. O médico respondeu-lhe que sim, mas que a fervesse primeiro. Não me parece que doses sucessivas de banha da cobra sejam a solução dos nossos males. Muita da nossa dívida, e consequente austeridade, não é legítima, em perfeita analogia com as dívidas contraídas pelas prostitutas, e que as mantêm nas malhas dos seus donos. Se a nível mundial algo tem de ser feito para refrear os chulos financeiros, a nível nacional um corte com o passado seria um primeiro passo. Ou então que se dê o Prémio Nobel da Economia à Dona Branca. E viva a República das Putas.»

 João Magueijo (físico teórico do Imperial College, em Londres), Público 11/1/2013

 (via Entre as brumas da Memória e No Vazio da Onda.

sábado, 12 de janeiro de 2013

internet.


"Eu ainda sou do tempo (pronto, lá vem este…) em que não havia internet.

- Jura?

- Juro.

- Incrível!

- Pois é.

- E as galinhas também tinham dentes?

- Vê lá se queres ficar como as galinhas… E como não havia internet, acontecia-me muitas vezes, durante a leitura de um livro, cruzar-me com a descrição de uma pintura que eu desconhecia. Ora, como fazer então para encontrá-la? Se tivesse algum livro à mão sobre determinado autor ou corrente ainda podia tentar, mas raramente conseguia, porque os escritores não se põem a falar de um qualquer quadro que toda a gente conhece, não é assim? Qual é o interesse em descrever os girassóis do Van Gogh ou a Gioconda? Nenhum, a não ser que o autor se chame Dan Brown ou algo do género. Mas o mais irritante acontecia quando o autor se lembrava de panegiricar (é escusado ir ao dicionário, não existe) uma determinada pintura até ao infinito, pois já se sabia que era quase impossível encontrá-la. Podia-se tentar em bibliotecas, livrarias e nada. Sempre que o elogio e a descrição eram extensas, pimba, era tiro e queda, mais valia procurar o santo graal que tínhamos mais hipóteses de sucesso. É assim como aquelas conversas de café: eia, pá, aquele disco é muito bom, conheces?

 - Conheço, mas o melhor é o X.

- Não conheço.

- Pois não, é um bootleg e só existem 3 cópias, mas é de longe o melhor disco dessa banda.

- Ora foda-se!

- Ou, então, com os filmes: vi ontem um filme do caraças, daquele realizador moldavo, conheces?

- Conheço, mas esse não é o melhor dele. O melhor vi eu, numa cave em mil novecentos e troca o passo, na antiga União Soviética, numa sessão privada, e que nunca mais foi repetida. Esse, sim, é de longe o melhor filme dele.

- Olha, sabes que mais? Vai cagar, man. O melhor é sempre aquilo que ninguém, ou quase ninguém, pôs os olhos ou os ouvidos em cima. Adiante (ou avante, é à escolha).

 

Agora, como se pode ver pelo post em baixo, sempre, ou melhor, quase sempre, quer dizer, às vezes, quando me cruzo como uma passagem dessas trato logo de pesquisar a tal pintura e colocar aqui no arquivo. Ainda não concluí se é uma vantagem, porque tenho a sensação de que anteriormente aquela descrição perdurava mais na minha memória. Em contrapartida, também me esquecia mais frequentemente dessas passagens do livro. Entre perdas e ganhos julgo que, para já, a internet leva vantagem.

- Conheces aquele filme de um realizador do Bornéu?

- Não.

- Eia, pá, que filmaço!

- Tens de ver! Não sei é se vais conseguir encontrá-lo."

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Fim de Quê?

Para a Ciência, avessa às superstições e especialmente à Astrologia, o que haverá na fatídica data é apenas um mero alinhamento sideral. Entre os dias 21 e 23 de dezembro, com ápice entre 11:16 hs e 11:26 hs da manhã do dia 22/12. nosso planeta Terra, a Lua e o Sol estarão alinhados com Alcyone, a estrela maior da Via Láctea, fato que ocorre a cada 25 mil anos. Mas , para os místicos, este seria um momento especial porque as energias planetárias estariam se reorganizando levando-nos à possibilidade de vivenciar um momento cósmico especial, com uma suposta extraordinária ortunidade para que muitos se iluminem passando a vibrar em outras dimensões. “É esperado que milhões de almas se beneficiem desta oportunidade espiritual única”afirmam.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

AROUCA - UM PATRIMÓNIO NATURAL, cheio de tesouros a explorar...


Na “aldeia global” do século 21, o Turismo da Natureza é hoje visto com uma janela de oportunidades para países do Sul da Europa como é o nosso, abençoado com um clima de fazer inveja aos friorentos do Norte, uma paisagem dotada de potencia...
lidades inigualáveis e uma cultura com séculos de história. Sendo certa a importância deste setor na produção de riqueza, os agentes desta atividade de lazer, agora focados no turista que procura a fruição do binómio conservação da biodiversidade e vivências culturais endógenas, começam a empreender estratégias que promovam o turismo sustentável, inteligente e inclusivo.
Arouca vai também integrar um projeto regional assente num turismo responsável e exigente, conduzido pela ADRIMAG, em parceria com a AGA e os outros seis municípios associados nesta agência de desenvolvimento rural integrado das serras de Montemuro, Arada e Gralheira, nomeadamente Castro Daire, Cinfães, Castelo de Paiva, S.Pedro do Sul, Sever do Vouga e Vale de Cambra. “Montanhas Mágicas, uma estratégia para o Turismo Sustentável” é o caminho que irá ser percorrido, entre 2013-2017, tendo em vista precisamente a Carta Europeia do Turismo Sustentável (CETS), fulcral para o desenvolvimento sócio-económico dos territórios com áreas protegidas ou classificadas.
Hoje foi dado o primeiro passo, com a apresentação das linhas gerais no “workshop” que decorreu no auditório da Escola Secundária de Arouca. Especialistas na matéria e vozes abalizadas apresentaram projetos já em curso: o cicloturismo como projeto CETS e atividade económicamente muito rentável em Leburon, um espaço natural situado no coração da Provence, França; e a Central de Reservas das regiões do Parque Natural da Peneda-Gerês, implementada pela ADERE (Associação de Desenvolvimento Regional) naquele território, fazendo a promoção e a comercialização do destino Gerês, dentro e fora de portas.
Ver mais
— em Arouca.



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famoso ou não. Toda a gente merece respeito: ateu ou crente!


Os ateus sempre foram perseguidos como párias das sociedades pelos religiosos. E embora hoje se fale de liberdade, ainda existe o preconceito velado. Ateus são apenas pessoas que não têm necessidade de acreditar em nenhum deus. Dos milhões de ateus ou ateias, ficam vários nomes, aqui, referidos:



Nietzsche (Filósofo);

Esteve Jobs (Co-fundador da Apple, Next e do Estúdio Pixar);

Alfred Hitchcock (Diretor de cinema);

Bertrand Russel (Filósofo e Matemático);

Bill Gates (Fundador da Microsoft);

Caetano Veloso (Cantor e Compositor);

Charles Chaplin (cineasta);

Che Guevara (Revolucionário);

Chico Buarque (Cantor e Compositor);

Confúcio (Filósofo chinês);

David Bowie (Músico e ator);


Denis Diderot (Filósofo e escritor francês);

Ernst Hemingway (Escritor Nobel de Literatura);

Frederico Fellini (cineasta Italiano);

Fidel Castro (Chefe de Estado de Cuba);

Heinrich Heine (Poeta romântico alemão);

Jack Nicholson (Ator);

James Joyce (Escritor Irlandês).

Charles Schulz (Cartunista, criador da série "Penusts" - Turma do Snoopy);

John Lennon (Músico);

Jorge Amado (Escritor brasileiro);

Zélia Gattai (Escritora, esposa de Jorge Amado);

Karl Marx (Sociólogo e Filósofo);

Katharine Hepburn (Atriz);

Luis Fernando Veríssimo (Escritor);

Cláudia Raia (Atriz);

Leonardo da Vinci (pintor, matemático, escultor, arquiteto, físico, escritor, engenheiro, poeta, cientista, botânico e músico);

Linus Pauling (Prêmio Nobel de Química);

David Gilmour (Vocalista e Guitarrista do Pink Floyd);

Machado de Assis (Escritor brasileiro);

Manuel Vásquez Montaban (Escritor e Jornalista espanhol);


Marie Curie (Nobel de física e química);

Mário Lago (Ator, compositor e letrista);

Marlon Brando (Ator);

Peter Medawar (Nobel de Fisiologia e Medicina);

Sigmund Freud (Criador da psicanálise);

Meng-Tse (Pensador);

Michel Foucault (Filósofo);

Milos Forman (Cineasta);

Monteiro Lobato (Escritor, autor de "O Sítio do Pica-Pau Amarelo");

Murray Rothbard (Economista e teórico político);

Noam Chomsky (linguista americano);

Oscar Niemeyer (Arquiteto, projetou Brasília);

Pablo Neruda (Poeta chileno, Nobel de Literatura);

Pablo Picasso (Pintor espanhol);

Pier Paolo Pasolini (Escritor, poeta e cineasta italiano);

Paulo César Pereio (Ator);

Paulo Freire (Educador);

Rubem Fonseca (Romancista e contista brasileiro);

Carl Sagan (Astrônomo americano);

Salman Rushdie (Escritor e ensaísta);

Jean Paul Sartre (Filósofo francês);

Simone de Beauvoir (Filósofa e escritora);

Bob Geldof (Músico);

Sócrates (Filósofo grego);

Stephen King (Escritor, fez "O Iluminado", "Cemitério Maldito", entre outros);

Steven Soderbergh (Cineasta);

Thomas Edison (Inventor americano, criador do fonógrafo e da lâmpada elétrica);

Woody Allen (Cineasta);

Yuri Gargarin (Cosmonauta Soviético, o primeiro homem a viajar pelo espaço);

Bjork (Cantora e Compositora);

Ingmar Bergman (Cineasta);

José Saramago (Nobel de Literatura).

O que seria da humanidade sem tantos "tolos" e "maus" como esses?



 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Vai tudo!


Até um dia destes...

Publicado às 03/12/2011
O Tesouro do Mar de Mansores» é ousado na escrita e nos temas abordados. Escrito por José Santos, natural de Santa Maria da Feira, o livro foi apresentado na Biblioteca Municipal de Arouca no passado dia 30 de novembro, merecendo os elogios de todos. "
Já passou um ano. O outro livro, ainda, não está acabado. Vou, vou voltar a Arouca...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

“Um orçamento de guerra civil”


«Este orçamento é mentiroso, é ilegal, é ilegítimo, é imoral, é associal e belicista. E todos o sabem. Mas foi aprovado pelos deputados da maioria.

Bastaria para nos encher de vergonha o conteúdo do orçamento em si, um exercício impossível de cumprir segundo praticamente todos os observadores independentes, que promove o empobrecimento dos portugueses e amplia a desigualdade social, que reduz a progressividade dos impostos, que taxa como ricos os que mal emergem da linha de pobreza, que poupa o património e os rendimentos de capital dos verdadeiros ricos, que abandona qualquer ideia de desenvolvimento económico, qualquer preocupação com o bem-estar dos cidadãos, que transfere sem a menor vergonha para os bolsos dos agiotas credores o dinheiro que rouba do bolso dos desempregados e que, para mais, se baseia em estimativas que todos sabem absolutamente falaciosas.

O Orçamento de 2013 é mentira. Mas, pior do que ser mentira, é um orçamento de ataque ao povo português. É um orçamento de guerra. Não por ter sido imposto por uma situação de guerra, mas porque é um acto de guerra contra os pobres e a classe média, contra a democracia e a liberdade (de que liberdade goza um desempregado?). É um acto de revanchismo serôdio contra o 25 de Abril. Mais do que um confisco de salários e pensões é um confisco de direitos. É um confisco de democracia. É um acto de guerra civil.

É imoral porque ataca os mais frágeis, é associal porque destrói o tecido social e a própria ideia de solidariedade e a confiança que mantém a sociedade, é belicista porque vai semear a doença, a fome, a morte e a discórdia. Mas foi aprovado pelos deputados da maioria…”

 

 

 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Artur Neves critica Passos Coelho por “premiar” câmaras com más práticas financeiras


O presidente da Câmara de Arouca, eleito pelo PS, reclama do primeiro-ministro os cinco milhões de euros que terá prometido para concluir a variante até à Feira e acusa-o de "indignidade", por "premiar" com 457 milhões as autarquias "com más práticas financeiras".

Na carta dirigida a Pedro Passos Coelho, à qual a Lusa teve acesso, José Artur Neves refere-se à linha de crédito do chamado Plano de Apoio à Economia Local (PAEL), que beneficia 82 municípios.

"O prémio que o Governo atribuiu às autarquias com más práticas financeiras indigna-me profundamente e só pode indignar todos os arouquenses”, diz.

O autarca explica: "O Governo tem-nos dito que não tem pouco mais de cinco milhões para a comparticipação nacional necessária para conclusão da nossa variante e que a obra dificilmente terá dinheiro neste Quadro Comunitário”.

“Depois, faz esta indignidade: atribui 37 milhões à Câmara do Fundão para pagar dívidas de curto prazo acumuladas pelo presidente que recentemente este mesmo Governo duplamente premiou com a sua nomeação para a administração da Águas de Portugal; concede 28 milhões à Câmara do Funchal; e concede a Gaia ‘apenas' 27 milhões - sendo que o grosso da divida estará ‘escondido' em muitas das suas empresas municipais".

Para José Artur Neves, esses são "apenas alguns exemplos" da estratégia com que o Governo resolveu "caucionar os violadores das boas práticas de gestão dos dinheiros públicos e da própria Lei das Finanças Locais, sem olhar a qualquer critério equitativo, sem qualquer planeamento e sem qualquer visão de futuro".

O autarca de Arouca critica a medida por defender que essa "premeia os autarcas que, objetivamente, se assumiram como concorrentes desleais na gestão da coisa pública ao gerarem, ano após ano, mandato atrás de mandato, dívidas de milhões perante fornecedores e empreiteiros, contribuindo dessa forma - e a exemplo de sucessivos Governos e de um bem ‘traquejado’ governante da Região Autónoma da Madeira - para a desastrosa situação financeira do país".

José Artur Neves repudia também o tom conferido à cerimónia de formalização dos acordos com as 82 autarquias em causa, quando Miguel Relvas, ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, afirmou que esse se tratava de "um ‘momento de legítimo orgulho' e ‘o resultado visível do mais genuíno espírito de cooperação e de boa vontade'".
Para o autarca de Arouca, "pareceu mesmo que os [municípios] cumpridores que ali não estavam é que estão errados".
A variante de Arouca a Santa Maria da Feira pretende facilitar um percurso de cerca de 50 quilómetros, que, atualmente, só está disponível em 10 quilómetros de via rápida e, no restante, continuar a fazer-se por curvas apertadas através da serra.

A conclusão da última fase da obra vem sendo prometida por sucessivos governantes, inclusive por Passos Coelho, durante uma visita a Arouca em setembro de 2010, ainda enquanto candidato.

José Artur Neves recorda essa circunstância ao primeiro-ministro e, na mesma carta, recomenda-lhe que converse sobre o assunto com o ministro Paulo Portas, que, líder da bancada do CDS na Assembleia Municipal de Arouca, "é bem conhecedor do problema da estrada e das promessas que nas últimas eleições autárquicas e legislativas ele próprio não se cansou de fazer".

Recordando que a Câmara de Arouca "tem sido sucessivamente reconhecida como uma das autarquias do país com melhor gestão financeira", exibindo "um ‘superavit’ de receita corrente de mais de 15 %" e ainda "muito investimento, obra feita e baixos impostos diretos", o autarca conclui: "Tudo tem um limite, e esse limite, pelo infame e ofensivo comportamento dos nossos governantes para com os arouquenses, há muito que foi ultrapassado".

in LUSA

05-12-2012

Portugal atravessa "década negra" no combate à corrupção


(…) "Cerca de um terço do Parlamento é constituído por directores, administradores, consultores ou advogados de empresas que têm grandes negócios com o Estado. A lei foi deliberadamente elaborada para que fosse declarada inconstitucional", acusa Paulo Morais, acrescentando que tem faltado vontade política e mais transparência na vida pública do Estado, que "é completamente opaca".

 

sábado, 1 de dezembro de 2012


Quatro homens e uma mulher, católicos, estavam tomando café na Praça de São Pedro. O primeiro homem falou:

- Meu filho é um padre e tratam-no por Padre.

 O segundo homem bradou...

- Meu filho é um bispo e tratam-no sempre por "Sua Graça".

O terceiro homem disse...

- Meu filho é um Cardeal. Quando ele entra em um recinto todos inclinam a cabeça e tratam-no por "Sua Eminência".

Como a única mulher estava saboreando o café em silêncio, os quatro homens dirigiram a ela com argúcia...

- Então?

Ela, orgulhosamente respondeu...

- Eu tenho uma filha, alta e elegante, busto 40, 24 polegadas de cintura, 34 polegadas de quadris...quando entra em qualquer lugar, todos exclamam:

“OH! MEU DEUS! "

 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

por José Vítor Malheiros


 

"Agora é raro o dia sem uma petição. É rara a semana sem uma manifestação. Causas urgentes e necessárias, causas justas, às vezes questões de vida ou de morte, questões de direitos, de liberdade, de dignidade, de futuro. As petições não custam nada, é só assinar no computador.
As manifestações são mais complicadas, é preciso ir, organizar o dia à volta da manifestação, saber onde é, por onde passa, quem convoca, que transportes apanhar, vencer a resistência a participar - não por comodismo, mas porque quase nunca estamos de acordo com tudo o que representa uma manifestação.

É preciso negociar connosco próprios, ceder, defender o essencial e esquecer o acessório, pensar nos fins sem nunca esquecer os meios, medir vantagens e benefícios, participar na contestação mas não banalizar a contestação, mobilizar as pessoas mas não cansar as pessoas.
Agora todos os dias são dias de luta, mas esta luta atomizada em manifestações e petições, em debates e reuniões de trabalho, em artigos para os jornais e fotografias e posts e comentários nas redes sociais não tem um sentido definido.
Muitos dos que contestam a austeridade quando ela lhes chega ao bolso concordam que gastámos acima das nossas possibilidades e que é preciso pagar e, se continuarmos a conversa, ainda defendem que o Estado corte nos gastos sociais dos outros.

Muitos dos discursos de rua que começam a criticar este Governo e o anterior e os anteriores estendem rapidamente o seu ódio a todos os políticos, a todos os partidos e à própria política e acabam a criticar a democracia que entregou o poder aos arrivistas corruptos. Muitos dos que começam a criticar a falta de democracia na União Europeia acabam a demonizar os estrangeiros que só nos querem roubar o pouco que temos e a defender o isolacionismo.

 A maior vitória do neoliberalismo é esta, os ataques que os pobres desferem uns contra os outros. O maior ataque ao Estado Social é este, o que se ouve nas conversas dos cidadãos comuns, que criticam os que beneficiam de apoios do Estado porque obrigam o Governo a aumentar os impostos. Que criticam as famílias que recebem o RSI e levam as crianças ao café para comer bolos, como se comer bolos fosse um direito dos nossos filhos mas não dos filhos dos outros. Que criticam os grevistas dos transportes, porque prejudicam quem quer ir trabalhar e não pode. Que criticam a classe média que vai aos hospitais públicos e gasta recursos do Estado mas tem dinheiro para ir aos hospitais privados. Que até são capazes de concordar com o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que explica que acabar com os descontos no passe social é justo porque evita que Belmiro de Azevedo ande de autocarro a beneficiar dos nossos impostos. Uma das coisas mais tristes desta crise é ser bombardeado com as mensagens-correntes de mail onde se denunciam os pretensos privilégios e os grandes salários de alguns. Nalguns casos, raros, a indignação é legítima. Há gastos excessivos, sumptuários, onde devia haver contenção e frugalidade no uso de dinheiros públicos. Mas em muitos casos a indignação é não só disparatada mas cirurgicamente orientada para desviar as atenções das benesses de que goza o capital. Enquanto umas centenas de ingénuos se indignam com os salários de certas estrelas da televisão (“Envia esta mensagem a vinte dos teus amigos!”), não dizem uma palavra contra os juros cobrados a Portugal pela “ajuda externa”, contra o escândalo do BPN e das PPP, contra os benefícios escandalosos concedidos aos bancos, as isenções fiscais das grandes empresas, a fuga legal aos impostos dos grupos económicos com sede na Holanda, o desvio de dinheiros para paraísos fiscais, os impostos inexistentes sobre os rendimentos do capital. Tudo isso é escamoteado pelo cachet de José Carlos Malato ou de Catarina Furtado.

 A maior vitória do neoliberalismo é esta, é este discurso, uma vitória conseguida a golpes de propaganda repetida sem descanso, com a cumplicidade (frequentemente involuntária e acéfala) dos media.

 É por isso que continuamos a ouvir Vítor Gaspar nos telejornais, repetindo as suas fantasias que nenhum raciocínio sustenta. Um dia, ele ou outra marioneta do Governo virá dizer-nos que a Terra é plana e os media, dando provas de equilíbrio e isenção, dirão, “Essa não é porém a posição do geógrafo Fulano de Tal, que sustenta, por seu lado, que...”

 A responsabilidade dos media na alimentação deste discurso é central. É por isso que vemos, em movimentos cívicos como o Manifesto contra a Privatização da RTP ou a Iniciativa de Auditoria Cidadã à Dívida Pública ou a Rede Economia com Futuro, a necessidade de produzir e disponibilizar informação que os media deveriam produzir, filtrar, validar e difundir mas que não produzem, não filtram, não validam e não difundem. Os movimentos sociais estão a tentar fazer o trabalho que devia ser dos media mas eles ainda não perceberam, preocupados como estão em colocar o microfone bem próximo dos lábios de Vítor Gaspar."

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Arouca é uma terra linda, com muitos encantos... e doces!


“AROUCA, NATUREZA A 100%


- "O Geoturismo é uma estratégia de desenvolvimento que realça o melhor que o território tem para oferecer"

 - "O Turismo Rural é fundamental mas precisamos todos de outra mentalidade: profissionalismo, qualidade, excelência. Com todos a trabalhar para o produto"

 Arouca é um território onde a natureza se impõe a 100%. Tem a paisagem colossal, de irresistível beleza, classificada como museu geológico a céu aberto, remetendo-nos para a origem dos tempos, com sítios únicos como as misteriosas trilobites gigantes de Canelas, as pedras parideiras de Canelas, as pedras boroas do Junqueiro ou a frecha da Mizarela, tudo agregado no Geopark de Arouca. Tem as escarpas abruptas da serra da Freita e as pistas de águas bravas do rio Paiva junto a Alvarenga, também as ribeiras de Castanheira, Rio de Frades e da Pedra Amarela, ideais para desportos de aventura. Tem rotas vertiginosas ou relaxantes em dezena e meia de percursos pedestres em caminhos rurais, tradicionais ou de montanha, alguns com o rio a deixar-se tocar.

A par de tudo isto, Arouca tem as delícias gastronómicas, da vitela arouquense aos doces conventuais, tem os vinhos verdes, e tem o legado religioso da Ordem de Cister no enorme Mosteiro de Santa Maria de Arouca. E Arouca também cultiva a arte de bem receber num território a que acertadamente dão o nome de Montanhas Mágicas, que se estende de Arouca a Castro Daire e São Pedro do Sul.

Esta pura natureza está a menos de uma hora de distância do Porto, Aveiro ou Viseu.(…)”

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Uma diferença colossal entre o meu concelho e o concelho de Arouca!


“A autarquia de Arouca propõe emprestar seis milhões de euros à empresa «Estradas de Portugal» para a conclusão da via estruturante, que liga o município ao Litoral, uma obra reclamada há vários anos pela população.

«O município de Arouca está disponível para sacrificar parte da sua capacidade de endividamento para - caso o Governo o autorize nas condições legalmente possíveis - facultar um empréstimo de seis milhões de euros à Estradas de Portugal, com base num acordo a firmar entre as partes, que permita à estrutura estatal pagar-nos, num tempo razoável, e para que, desta forma, possamos ter, finalmente as máquinas no terreno e a concretização de uma obra que é reclamada pelos arouquenses há décadas», afirmou o presidente da autarquia, José Artur Neves.

 O autarca aproveitou quinta-feira a presença da ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Assunção Cristas, na cerimónia de abertura da Feira das Colheitas para apelar à intervenção do Governo nesta matéria.

 A governante tomou «boa nota das preocupações» da Câmara Municipal, mostrando-se sensível ao problema.

 «O Governo está a avaliar todas as situações que tem entre mãos e, neste caso particular, competirá ao ministro da Economia, que também tem a área das Obras Públicas, reflectir sobre essa matéria», disse aos jornalistas Assunção Cristas.

 A via estruturante integra-se na concessão «Vouga», que inclui ainda o IC35 (entre Penafiel e Mansores), a ligação do nó da via estruturante em Escariz até à zona industrial do Rossio, a ligação de Vale de Cambra até ao nó de Carregosa da A32 e a conservação/manutenção (durante o período da concessão) de várias rodovias que estão em serviço.

 Em Dezembro de 2010 foi publicado em Diário da República o despacho suspendendo a comissão responsável pelo andamento da concessão durante a reavaliação do modelo de financiamento da EP - Estradas de Portugal, SA.

 O primeiro troço – ligando a vila de Arouca a Nogueiró, na freguesia de Urro - foi inaugurado em 2004 pelo então secretário de Estado das Obras Públicas, Jorge Costa.

O último troço da «variante» - com 23 quilómetros - estabelece a ligação entre Mansores (Arouca) e Santa Maria da Feira.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

in Fio de Prumo - Correio da Manhã


“Foi Cavaco Silva, e não Merkel, que enquanto primeiro-ministro permitiu o desbaratar de fundos europeus em obras faraónicas e inúteis, desde piscinas e pavilhões desportivos sem utentes, ao desnecessário Centro Cultural de Belém. Foi o seu ministro Ferreira do Amaral que hipotecou o estado no negócio da Ponte Vasco da Gama.

Foi António Guterres, e não Merkel, que decidiu esbanjar centenas de milhões de euros na construção de dez estádios de futebol. Foi também no seu tempo que se construiu o Parque das Nações, o negócio imobiliário mais ruinoso para o estado em toda a história de Portugal.

Foi mais tarde, já com Durão Barroso e o seu ministro da defesa Paulo Portas, que ocorreu o caso de corrupção na compra de submarinos a uma empresa alemã. E enquanto no país de Merkel os corruptores estão presos, por cá nada acontece.

Mas o descalabro maior ainda estava para chegar. Os mandatos de José Sócrates ficarão para a história como aqueles em que os socialistas entregaram os principais negócios de estado ao grande capital. Concederam-se privilégios sem fim à EDP e aos seus parceiros das energias renováveis; celebraram-se os mais ruinosos contratos de parceria público--privada, com todos os lucros garantidos aos concessionários, correndo o estado todos os riscos. O seu ministro Teixeira dos Santos nacionalizou e assumiu todos os prejuízos do BPN.

Finalmente, chegou Passos Coelho, que prometeu não aumentar impostos nem tocar nos subsídios, mas quando assumiu o poder, fez exactamente o contrário. Também não é Merkel a culpada dessa incoerência, nem tão pouco é responsável pelos disparates de Vítor Gaspar, que não pára de subir taxas de imposto. A colecta diminui, a dívida pública cresce, a economia soçobra.

A raiva face aos dirigentes políticos deve ser dirigida a outros que não à chanceler alemã. Aliás, os que fazem de Angela Merkel o bode expiatório dos nossos problemas estão implicitamente a amnistiar os verdadeiros culpados.”
(Paulo Morais)

 

 

 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Letra de Sérgio Godinho e música de Zé Mário Branco


Os vampiros, continuam a beber...


“Nestes últimos três anos caiu-nos uma depressão em cima da cabeça, e o que fizemos? Procurámos culpados. O “viver acima das nossas possibilidades” e “os malefícios do endividamento”, são duas cantigas populares dos últimos anos. E, no entanto, antes de a crise ter rebentado na América e de se ter propagado à Europa, o nível de endividamento de alguns dos países do sul da Europa, como Portugal e Espanha, tinha vindo a reduzir-se. Os gráficos estão lá e mostram que sim (como mostram que o gigante alemão também está fortemente endividado). Mas porque é que as pessoas não querem acreditar nisto? Nem sequer apreender o facto de terem sido “praticamente todos os principais governos” que, “nos terríveis meses que se seguiram à queda do banco de investimento Lehman Brothers, concordaram em que o súbito colapso das despesas do sector privado teria de ser contrabalançado e viraram-se então para uma política orçamental e monetária expansionista num esforço para limitar os danos”? A Comissão Europeia e a Alemanha estavam “lá”. E, de repente, tudo mudou.

 Uma das maiores dificuldades de lidar com esta crise é, em primeiro lugar, o facto natural de tanto o cidadão comum como Jesus Cristo não perceberem nada de finanças, a menos quando lhe vão ao seu próprio bolso (ou perde o emprego). A outra é o poder da narrativa do “vivemos acima das nossas possibilidades”, aquilo a que Krugman chama a “narrativa distorcida” europeia, “um relato falso sobre as causas da crise que impede verdadeiras soluções e conduz de facto a medidas políticas que só pioram a situação”. Krugman ataca “uma narrativa absolutamente errada”, consciente de que “as pessoas que apregoam esta doutrina estão tão relutantes como a direita americana em ouvir a evidência do contrário”.

 Três quartos do livro-manifesto “Acabem com esta crise já”, é dedicado aos Estados Unidos, pátria de Krugman. Mas tendo em conta o nosso “interesse nacional”, centremo-nos no que diz sobre a Europa.

 Krugman refuta a explicação popular e maioritária sobre a situação actual na Europa – países sob tutela de troika e pedidos de resgate à média de dois por ano. “Eis, então, a Grande Ilusão da Europa: é a crença de que a crise da Europa foi essencialmente causada pela irresponsabilidade orçamental. Diz essa história que os países europeus incorreram em excessivos défices orçamentais e se endividaram demasiado – e o mais importante é impor regras que evitem que isto volte a acontecer”.

 Krugman aceita que a Grécia (e Portugal, “embora não à mesma escala) incorreu em “irresponsabilidade orçamental”, mas recusa a “helenização” do problema europeu. “A Irlanda tinha um excedente orçamental e uma dívida pública reduzida na véspera do deflagrar da crise (...) A Espanha também tinha um excedente orçamental e uma dívida reduzida. A Itália tinha um alto nível de endividamento herdado das décadas de 1970 e 1980, quando a política era realmente irresponsável, mas estava a conseguir fazer baixar de forma progressiva o rácio do endividamento em relação ao PIB”. Ora um graficozinho do FMI demonstra que, enquanto grupo, “as nações europeias que se encontram actualmente a braços com problemas orçamentais conseguiram melhorar de forma progressiva a sua posição de endividamento até ao deflagrar da crise”. E foi só com a chegada da crise americana à Europa que a dívida pública disparou. Explicar isto aos “austeritários” é uma tarefa insana. Diz Krugman: “Muitos europeus em posições-chave – sobretudo políticos e dirigentes na Alemanha, mas também as lideranças do Banco Central Europeu e líderes de opinião espalhados pelo mundo das finanças e da banca – estão profundamente comprometidos com a Grande Ilusão e nada consegue abalá-los por mais provas que haja em contrário. Em consequência disso, o problema de responder à crise é muitas vezes formulado em termos morais: as nações estão com problemas porque pecaram e devem redimir-se por via do sofrimento”. Ora é esta exactamente a história que nos conta o governo e que é, segundo Paul Krugman, “um caminho muito mau para se abordar os problemas que a Europa enfrenta”.

 Ao contrário do que muita gente possa pensar, Krugman não é um perigoso socialista. E, céus, até defende a austeridade (alguma, mas não esta). Vejam como ele explica a crise espanhola, que considera a crise emblemática da zona euro: “Durante os primeiros oito anos após a criação da zona euro a Espanha teve gigantescos influxos de dinheiro, que alimentaram uma enorme bolha imobiliária e conduziram a um grande aumento de salários e dos preços relativamente aos das economias do núcleo europeu [Alemanha, França e Benelux]. O problema essencial espanhol, do qual derivam todos os outros, é a necessidade de voltar a alinhar custos e preços. Como é que isso pode ser feito?”. O Nobel explica: “Poderia ser feito por via da inflação nas economias do núcleo europeu. Imagine-se que o BCE seguia uma política de dinheiro fácil enquanto o governo alemão se empenhava no estímulo orçamental; isto iria implicar pleno emprego na Alemanha mesmo que a alta taxa de desemprego persistisse em Espanha. Os salários espanhóis não iriam subir muito, se é que chegavam a subir, ao passo que os salários alemães iriam subir muito; os custos espanhóis iriam assim manter-se nivelados, ao passo que os custos alemães subiriam. E para a Espanha seria um ajustamento relativamente fácil de fazer: não seria fácil, seria relativamente fácil”.

 Ora, esta maneira “relativamente fácil” de resolver a crise europeia tem estado condenada (vamos ver o que se segue ao novo programa de compra de dívida do BCE, criticado pelo presidente do Bundesbank) pela irredutibilidade alemã relativamente à inflação, “graças às memórias da grande inflação ocorrida no início da década de 1920”. Krugman lembra bem que estranhamente “estão muito mais esquecidas as memórias relativas às políticas deflacionárias do início da década de 1930, que foram na verdade aquilo que abriu caminho para a ascensão daquele ditador que todos sabemos quem é”.

 O que trama as nações fracas do euro (como Espanha e Portugal) é, não tendo meios de desvalorizar a moeda – como fez a Islândia no rescaldo da crise com sucesso – estão sujeitas ao “pânico auto--realizável”. O facto de não poderem “imprimir dinheiro” torna esses países vulneráveis “à possibilidade de uma crise auto-realizável, na qual os receios dos investidores quanto a um incumprimento em resultado de escassez de dinheiro os levariam a evitar adquirir obrigações desse país, desencadeando assim a própria escassez de dinheiro que tanto receiam”. É este pânico que explica os juros loucos pagos por Portugal, Espanha e Itália, enquanto a Alemanha lucra a bom lucrar com a crise do euro – para fugir ao “pânico” os investidores emprestam dinheiro à Alemanha sem pedir juros e até dando bónus aos alemães por lhes deixarem ter o dinheirinho guardado em Frankfurt.

 Se Krugman defende que “os países com défices orçamentais e problemas de endividamento terão de praticar uma considerável austeridade orçamental”, defende que para sair da crise seria necessário que “a curto prazo, os países com excedentes orçamentais precisam de ser uma fonte de forte procura pelas exportações dos países com défices orçamentais”.

 Nada disto está a acontecer. “A troika tem fornecido pouquíssimo dinheiro e demasiado tardiamente” e, “em resultado desses empréstimos de emergência, tem-se exigido aos países deficitários que imponham programas imediatos e draconianos de cortes nos gastos e subidas de impostos, programas que os afundam em recessões ainda mais profundas e que são insuficientes, mesmo em termos puramente orçamentais, à medida que as economias encolhem e causam uma baixa de receitas fiscais”. Conhece esta história, não conhece?”

 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Zeca sempre esteve connosco...


Tiago Mesquita - escreve:

"Estou farto de ver o país sequestrado por corruptos. Farto de ver políticos a mentir. Farto de ver a Constituição ser trespassada. Farto de ver adolescentes saltitantes e acéfalos, de bandeira partidária em punho, a lamberem as botas de meia dúzia de ilusionistas. Farto de oportunistas que, após mil tropelias, acabam a dirigir os destinos do país. Farto de boys que proliferam como sanguessugas e transformam o mérito em pouco mais do que uma palavra. Farto da injustiça social e da precariedade.
 
Farto da Justiça à Dias Loureiro. Farto dos procuradores de pacotilha. Farto de viver num regime falso, numa democracia impositiva. Farto da austeridade. Farto das negociatas à terceiro mundo. Farto das ironias, da voz irritante, dos gráficos e da falta de sensibilidade de Vítor Gaspar. Farto dos episódios inacreditáveis do 'Dr.' Relvas, das mentiras de Passos Coelho e da cobardia de Paulo Portas.
 
Farto de me sentir inseguro cada vez que ouço José Seguro. Farto de ter uma espécie de Tutankhamon como Presidente da República. Farto dos disparates do Dr. Mário Soares.
Estou farto de ver gente a sofrer sem ter culpa. Farto de ver pessoas perderem o emprego, os bens, a liberdade, a felicidade e muitas vezes a dignidade. Farto de ver tantos a partir sem perspectivas, orientados pelo desespero. Farto de silêncios. Farto do FMI e da Troika. Farto de sentir o pânico a cada esquina. Farto de ver lojas fecharem a porta pela ultima vez e empresas a falir. Farto de ver rostos fechados, sufocados pela crise. Farto dos Sócrates, Linos, Varas, Campos e outros a gozarem connosco depois de terem hipotecado o futuro do país. Farto da senhora Merkel.
 
Estou farto de ver gente miserável impor a miséria a milhões. Farto da impunidade. Farto de ver vigaristas, gente sem escrúpulos, triunfar. Farto de banqueiros sem vergonha, corresponsáveis em tudo, a carpirem mágoas nos meios de comunicação social. Farto de ver milhares de pessoas a entregarem as suas casas ao banco. Farto de vergonhas como o BPN e as PPP. Farto de ver um país maltratar os seus filhos e abandoná-los à sua sorte. E, finalmente, estou farto de estar farto e imagino que não devo estar só".


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/estou-farto-disto-tudo=f764688#ixzz2BTDiF0PC

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

a maldita "ajuda" - ajuda quem não precisa!


“Sabia que do total do crédito "oferecido" a Portugal no âmbito do programa de assistência da 'troika' de 78 mil milhões de euros, 34.400 milhões de euros, corresponde ao valor total a pagar em juros ao longo do prazo dos empréstimos, ou seja, quase 45% do valor emprestado?
Sabia que o montante destinado às empresas do sector financeiro são 12 mil milhões de euros reservados para a recapitalização da banca?

 Tecnicamente falante, os empréstimos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) ou do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) têm uma maturidade (duração) média de 12 anos, a uma taxa de juro média de 4%.

Já os empréstimos do Fundo têm uma maturidade média de sete anos e três meses, e uma taxa de juro média de 5 por cento - mas neste caso "a taxa de juro é variável, à qual acresce um 'spread' [diferencial] que depende do montante em dívida e pode chegar a perto de 400 [pontos base] depois dos três primeiros anos", lê-se no documento das Finanças.
Sabia que ao contrário do inicialmente previsto, o pagamento de juros de Portugal à troika está a incidir na totalidade dos 12 mil milhões de euros destinado à capitalização da banca, e não apenas no montante até agora utilizado?

Sabia que da fatia de 12 mil milhões, o Estado injectou este ano 4,5 mil milhões de euros no BCP e no BPI. Os restantes 7,5 mil milhões de euros estão depositados numa conta bancária no Banco de Portugal e não podem ser utilizados para dedução da dívida?”

Ou seja dos 78 mil milhões emprestados a Portugal, 34 mil milhões são para pagar juros + 12 mil milhões para a recapitalização da banca, sobram menos de 32 mil milhões para a economia real."