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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

equinócio de Março

Isabel era uma mulher divorciada e Mário homem viúvo, amigos de longa data com contactos acidentais e/ou supérfluos com 20Km de distanciamento, ela cidadã, ele aldeão. Simpática, verdadeira e sólida amizade; apenas amizade, sem outra ambição.


Começa a cansar a Isabel a estreiteza das “amigas”, seus ciúmes pelos namorados depois do divórcio. Tinha resolvido a bem os problemas como o ex-marido e não queria pensar muito nisso. O amor é difícil, sempre que arriscava uma relação, ia convencida da sua pouca durabilidade e por isso começava e ficar farta da traição das “amigas” aliada à vingança ou fatalidade de ex-namorados.


Não acreditavam em contos de fadas mas tinha direito a mais. Tanto trabalho feito a favor dos humildes, tanta solidariedade… Isso: merecia mais respeito! Ser amiga de quem é nosso amigo. Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos. Para quê ter tantos números de telemóveis de homens, de rapazes, de mulheres, pois cada dia se sentia mais vazia.


Tinha que tentar mudar seus hábitos para eventualmente ter uma relação mais séria, mais romântica, mais calma e duradoura. O que se passou, passou e agora ela queria amar, mesmo amar, um homem que a amasse com todas as suas capacidades, aquela relação romântica para durar!...


Mas não ficara nada de relações antigas e apesar de tantas flores murchas, guardava as suas raízes e mantinha o seu próprio carácter e o sensual do seu corpo.

A maior angústia de Mário foi com a morte da mulher. Foi a sua amada, amante e amiga; Foi o apagar de todo o projecto de vida que durante anos foi criando.

Duas pessoas educadas, culturas e parecidas, calmas e pacientes. Ia tudo... A mulher, ia o estilo de vida escolhida e inserido. Foi, necessário médico, amigos antigos, alguns anos, muitas asneiras para tentar viver diferente.

Tentou “boites”, mulheres oferecidas de boas famílias, aceitou um convite em Paris com uma ex-namorada dos seus 20 anos e relacionamento com mulheres de baile, tentou inventar formas novas de explorar o corpo da parceira, etc. etc. etc.

O nosso coração é duro e sentimental e muitos vezes um amor, paixão ou amizade aparecem quando menos se espera. O amor não se ganha pela sua vontade e apoio dos outros, aqui, sua família: Quando assim acontece, tudo corre mal.


Estariam ambos, à sua maneira, ela na cidade e ele na aldeia, longe um do outro, desiludidos com os seus breves parceiros/as ao ponto de não desejarem um romance, um deslumbramento ou contacto sexual? Um e outro avaliam isso e descobriram: Não, não!!!


Era necessário sentir o desejo, ser desejado e senti-lo e todos nós, mulheres e homens temos “aquela” sensibilidade de desejo, de paixão e fantasia que falta descobrir! Com poucos amigo/a(s), como gosta de conversa lembrou-se dela, marcaram encontro no seu apartamento, falaram questões de cultura e nesse ano iriam os dois juntos ver um filme ao Fantas.


Após o jantar, que ela fez fantas(ticamente), decidiram ver um filme de terror, sobre vampiros nórdicos com começo de madrugada. Acabado o filme já tarde depois de separados e com automóveis em sítios diferentes, apressadamente metem a chave na ignição, os carros a funcionar e prontos a arrancar.


Ela mais rápida ou ele sem vontade de ir embora, passa por ele e afrouxa. Ele aproveita e diz:
- Então Isabel, onde vais, agora... dormir?
- Pois a esta hora! Vou aonde...?...
- Sei lá...estamos...
- Vamos a tua casa?!... - Pude ser, depois... embaraçou-se o Mário! - Sim ou não!?... - Sim, sim, eu quero dizer sim, vamos!...



- Eu vou atrás de ti!.. Foram os dois carros ligeiros, com condutor na frente e condutora metros atrás inquietos na expectativa até chegarem à casa na aldeia. A primeira vez que se viam naquela situação.


Os olhares eram lindos, os olhos concentrados, viam amabilidade, sensualidade e lúbrico abrigo. O olhar não fala, os corações contentes contagiam um ao outro, já na cozinha ela bebe um whiky. Ele imita-a, ela bebe outro... depois um beijo na boca, trocam olhares que seduzem, enternecem e aproximam.


Agora com outro beijo onde a(s) língua(s) se eterniza(m) até tirar o fôlego, ficaram completamente excitados, o ombro dele devagarinho, puxando para um quarto, ela a tentar despir-se, botões, tantos a tirar, roupa para o chão e pedir – “fode-me”.


Claro que não disse. Depois de despidos com tanta pressa, os dois na cama ainda havia o “soutien” a tirar... Unidos, torcidos, enroscados os dois procurando o cimo do outro até que pacientemente ele conseguiu a passagem da mão esquerda e com os dedos buscar a sua racha embebida e quente, primeiro um dedo no reguinho cada sempre vez mais húmido, delícia dela e nascente de prazer dele, depois dois dedos, ela chupa o pau dele cada vez mais erecto a boca dele não parava entre os seios de bicos arrebitados e as duas línguas perdidamente se acorrentam.


O pau mais duro, pronto a explodir ela contrai-se com um orgasmo, cada vez mais molhada e desejosa de mais, ele firme mas dócil, ela falando ou gemendo ele meigo com o silencio, ela coloca o pénis duro que pulsava nos seus dedos e introduziu na sua alagada racha e por cima dele.


Unidos pelo prazer da invasão, um dentro do outro naquela cavalgada, sobe e desce, ele ritmava o andar das suas nádegas, ela com o prazer daquele membro enterrado com estocadas firmes e vigorosas, o claro da luz, fica embaciado, a cama quente do fogo, as paredes incendeiam-se rapidamente, ele esporasse, dispara, ao mesmo tempo que ela tem o segundo orgasmo e gritam os dois com o sémen que brotou nela e sai o primeiro grito de gozo (até parecia afinado).


Nenhum vizinho que queixou e foi assim a primeira “morte de consolo”. Era necessário descansar. Foi a estrela de alva, a Aurora, cinco da manhã, seis da manhã. Bem, tinham muito tempo para dormir, era domingo; mas não dormiram! É, não dormiram tempo nenhum!...


O seu peito, mar de ondas calmas e pêlos amenos, enrolado nos seios dela; os seios dela com os bicos excitados e acalorados nos mamilos dele!... Com esta macieza, eles se amaram outra vez, outra vez, outra vez…


O texto vai longo e, o resto da noite e manhã de amor fica guardado apenas para eles. Sei que tomaram o pequeno-almoço e almoço, tomaram café ao Furadouro e falaram de coisas esotéricas, deuses, semi-deuses, maçonaria, astrologia, necessidade de saber, etc. Ah, sobre geografia, descobriram que o Equinócio (d´eles) de Março começou ontem.

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