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domingo, 31 de março de 2013

O encanto de Amélia - deste livro

(...) ‒ Minhas queridas, Amélia e Joana: antes de mais, entre amigos, por amizade, por actos de dedicação, não há culpados. Todos nós, humanos, erramos! A ideia foi tua, ou vossa, com a unanimidade das pessoas presente nesta sala. Minha querida Amélia e minha querida Joana, são imunes de eventuais erros, de acontecimentos até aqui nunca usados! Nós, as mais velhas, sabemos que tudo quanto disseste e é bem verdade. Parabéns pela argúcia e começa a notar-se rasgo e vontade de conquistar a felicidade, Amélia; lisonjeamos o teu carácter de mulher, em tão pouco tempo garantido. Quanto à Joana, a sua mãe aqui ao meu lado, na mesa, saberá melhor do que eu o que dizer.(...)
pag. 187 de "O Tesouro do Mar de Mansores"

sábado, 30 de março de 2013


(…)

‒ Sabem – lamentou-se Maria de Fátima – em pensamento existem sensações divergentes, passa essa agitação, mas não permanece ninguém à nossa espera; nem que seja para discutir. Em Lisboa a masculinidade vai-se afastando! A humanidade, de que fazemos parte, criou esta realidade no mundo da nossa existência; este empobrecimento é muito mais urbano do que campesino. Por isso estamos cá um mês por ano, na vila de Arouca.

(…)

quinta-feira, 28 de março de 2013

Andanças...


Mudam-se os anos, mudam-se os meses do ano,

Muda-se a vida, muda a sorte,

Muda-se a vontade e o engano,

Muda-se esta vida para a morte!

Nas mudanças tempestuosas

Também se muda a tempestade em bonança.

Nascem crianças, florescem rosas,

Murcham rosas, vivem jovens na esperança,

De ver num ano, num mês, num dia, numa hora,

A hora de trocar o destino,

Que apesar de tanta demora...

 

Sim! Sou eu que não atino!

No meu mundo de ventura,

Os olhos de felicidade

Espreitam com receio

O andar da minha idade;

Enquanto o sol que todos os dias raiava,

E a noite que todos os dias o matava,

Pintando de escuro o claro,

Ia-me fazendo já prever que a estrada

Por onde eu guio esta vida,

Não é recta, nem plana,

Tem curvas e mais curvas,

Tem subidas e descidas,

Sem orientação e sem norte,

Tem altos e baixos... e,

Às vezes, tão baixos...

Que por um momento

Digo: maldita a minha sorte!

terça-feira, 26 de março de 2013


Devorados os pequenos-almoços no centro de Arouca, por isso, de doces saciados, regressámos a casa. No regresso, passamos por um senhor que dirigia um carro de bois carregado de toros de pinho, na subida de Mansores, pela estrada nacional 326, de terceira categoria.

‒ Zitinho, pergunta ao senhor onde fica o mar de Mansores.

‒ Ele sabe?

‒ Sabe, ele é daqui!

Rápido, paro o carro. Ele, ainda mais rápido, sai, arranja o casaco e pergunta:

‒ Ó Senhor, se faz favor, informa-me onde fica o mar de Mansores?

O homem não responde! Corre com a vara de aguilhão levantada, obrigando o rapaz também a correr para fugir. O Zitinho, muito mais novo que o guia dos bois, é mais rápido e foge para o seu lugar no 2 CV. Abre a porta e diz-me:

‒ Arranca!

Como o carro estava ligado, arrancamos os dois no 2 CV! Já perceberam que não era um cavalo de cada um; um cavalo para mim e outro cavalo para o Zitinho. Não! Vínhamos no nosso carro de dois cavalos de potência e tudo! O nosso 2 CV era um veículo motorizado com lugar para quatro pessoas!  

‒ Zé, mete a segunda!

‒ É a subir, não posso…

Íamos os dois a balancear o corpo tentando ajudar o vigor do carro. O Zitinho diz:

‒ Ainda bem que o homem já não corre…

voltas sem destino


Do amor e retalhos da vida

Muitas ideias guardei.

Agora já sei:

Como o destino quis adiar

O grande amor da minha vida!

 

Havia uma pétala

Que voava, voava,

Perto de mim...

Tão linda, tão linda,

A mais linda do jardim…

 

Só agora é o meu amor

Mais linda ainda!

Com tal amor, mudei

A velha forma de amar!

Por isso estou contente;

Não quero do mundo mais nada

Do que o nosso amor presente.

Presente, agora e sempre,

Desmedidamente!

 

Amar, amar o nosso amor,

Amar mais gente também.

Pôr a pétala na sua flor,

Como o destino acha bem.

Então:

O nosso destino se realizou,

Com truques e reviravoltas.

O nosso amor faz-se

Oleado nessas voltas;

Nestas voltas sem destino,

Como o destino nos ensinou!

 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Agora no CHIPRE !!!


A única coisa que este plano de resgate conseguiu foi agravar a actual situação - em Chipre, em toda a periferia e, inevitavelmente, na própria zona euro - e garantir que o 'doente' morrerá do 'tratamento'. De loucura em loucura, a zona euro aproxima-se cada vez mais da implosão. Implosão social, implosão económica e, sim, implosão financeira. Aconteça o que acontecer, sabemos uma coisa: não será bonito.

(De “Ladrões de Bicicletas”)

Viva a ALDEIA!


(…)Fora de portas, sempre a mesma companhia, a irmã! Ela e outros médicos para uma gripe receitam um xarope, líquidos e cama. Para tal doença a gente aldeã tem a receita no bolso: avinha-te, abafe-te e abife-te! Ambas estão correctas e é necessário analisar a forma de combinar os dois conhecimentos! Nunca passou um dia como este. Na aldeia a vida não é monótona como na cidade. Apesar da distância entre as casas, as pessoas conhecessem-se e é mais simples arranjar amigos.(…)

Do “Tesouro do Mar de Mansores” de José Santos, este vosso amigo.

domingo, 24 de março de 2013

O aspecto de uma Maria


Carla Maria tinha uma aparência requintada: vestido prateado com rosas coradas ventiladas nos ramos flexíveis, com tantas cores diferentes, com mais ou menos luz; cinto vermelho, pernas torneadas a notar-se até ao cimo; seios fartos e espevitados, rasando a idade juvenil; sobrancelhas delgadas e proeminentes, pretas, assim como o cabelo crescido, cortado dois centímetro acima dos olhos, atado perto do pescoço e inclinado sobre o ombro esquerdo, aquecendo o seu coração entre ambas as mamas,  e findando na cinta, preso com um laço vermelho que anunciava o umbigo. Tinha os lábios grandes e rosados, o nariz delicado e pouco comprido, os olhos grandes com pupilas pretas e enormes pestanas. Tinha uma beleza inata.

Esta Maria, terminou o curso de belas-artes, e ajudou o Mário no atelier, várias vezes, como modelo. Modelo aqui, modelo acolá, primeiro na cidade do Porto e depois em Lisboa voou longe. Em diálogo com o Emídio, começou novamente a pintar e andava contente com semelhante projecto. Pouco falou e pouco foram as palavras para si. O facto de viver numa casa na quinta do Emídio era um assunto interno. Sabia, perfeitamente, que tantos olhares de frente ou de viés seriam por ser desconhecida; ali apenas conhecia o primo e o Mário, mas não faria o mesmo, não olhava de soslaio para ninhuém… confiava!

sábado, 23 de março de 2013

Amélia...


As antigas mulheres deduziram sobre Amélia: Espalha sexo na atitude de submissão e acato pelos confrades. Não suporta fraseado vazio e tem opiniões próprias a serem ditas na hora que considera certa com aquela voz amena, que sobe e desce segundo o impulso das suas convicções. Toda a gente percebeu a sua ambição de pertencer ao Mário e à sua família. Sem a família do Mário seria outra Amélia ali presente; sem a firmeza do amor e presença do Mário não estaria tão bonita e sensual! Em dois dias apanhou a essência da educação. Havia muito a aprender; as expectativas do seu destino eram elevadas, merecidas pela sua linha genética, pelos seus antecessores, mormente a sua avó. Caminhava num fio estreito, cuja rede era constituída por três pessoas que estava naquela sala. Através de todas as opiniões que exteriorizava e ensaiava, ia parecendo um membro do grupo; por isso o seu cuidado especial em expor, aceitar ou adicionar as suas ideias com as deles. Bom… tais tarefas são fáceis para as mulheres. 

sexta-feira, 22 de março de 2013

A minha única carta de amor


Esta simples carta reflecte aquilo que respira todos os meus sentimentos. É a primeira carta que te escrevo! Devia tê-la escrito antes? Devia sim, Liazinha minha, mas nunca seria esta, nem parecida! Nem sempre fomos nós a actuar sobre a realidade! A realidade confusa em idades pouco mais que púbere adiou para mais tarde, e, assim, anexou duas metades de um corpo só! Esta é a primeira carta de amor que eu escrevo. Penso e espero que seja a primeira carta de amor que recebes…

Esta carta de amor tardia pretende ser convincente e ampliar – se possível for, a energia do afecto, das meiguices e do erotismo, guias do nosso amor! O insubstituível nunca se esquece quando o interesse da memória se remova com a vinda de um grande amor que nos completa. Completamente reconciliado, eis aqui o teu amado, querida Amélia! Não sou o teu Kandinsky que te admirava caladinho, olhando-te de esguelha, no parlatório, com as trajadas de puras, que se diziam tuas amigas. Não és mais a minha Monja da Rosas da faculdade, local interdito a um jovem opinioso, e eu, de puras, prezava apenas as putas e suas candidatas!

Os vícios que nos eram pregados foram arruinados na última meia dúzia de anos. Enquanto todas as alunas tinham a tua inocência, lisura e beleza para se expor, tentei que tu – a menina mais bela da turma e da universidade – me olhasses de frente e que falássemos apenas os dóis, sem a cambada das tuas colegas a utilizar-se e mamar da tua beldade, com ciúmes da tua perfeição. Ensaiei várias vezes chegar-me a ti e foste sempre a minha preferida, cara Amélia. Várias raparigas juntas em volta de apenas uma cristalina – como tu – são um abismo param um rapaz ou homem!

Ah! Nessas situações, como é bom convivermos apenas com os rapazes, falar de amor, de beleza e tomar um copo de vinho tinto, Amélia!

Sempre que as mulheres, a beleza ou o amor eram tema de conversa, lembrava-me sempre em ti e detestava as nossas colegas de aulas; sabia que havia de chegar a nossa hora. Muito tarde, mas finalmente chegou…

Todos os homens odiavam o teu trabalho… tanta falsidade! Uma verdade não deve ser revelada, se ninguém a acredita! As mentiras das gajas que te rodeavam todos os dias se transformavam em verdades. Estávamos destinados a namorar fora daquelas malditas paredes!

Como sabes, querida Amélia, fui muito maltratado durante os dois anos que faltavam; os dois anos em que mais trabalhei para exposições e encomendas, os anos da minha ascendência no mundo artístico! Os nossos colegas de curso, os tais das melhores avaliações, não inventavam e siguiam ao milímetro as explicações dadas, por exemplo, no alto do quadro, amarelo ou azul; do lado esquerdo, muito claro ou mesmo branco; no lado direito, encarnado ou violeta; em baixo da pintura, verde ao castanho, sem criação própria, beleza e fantasia que vão mais longe… É necessário amor pela andamento da pintura de uma tela:

 

A pintura,

Feita com tanto labor,

Com amor, suor e arte

Da vida do seu autor,

Leva no valor uma parte!

 

problemas, do que tê-los sem os discutir e, às vezes, devido a isso mesmo. Como já adivinhavas, vamos falar sobre a nossa actividad
Sem parte do nosso tempo de vida não há obra feita. Se não queremos fingir, é um bocado de nós, de nós próprios, que desaparece em qualquer tela que pintamos.

Em qualquer faculdade de belas artes se aprende a “ler” um quadro, como nos ensinaram, prezada Amélia. No lugar de criar autores, criadores e artistas de arte; foram ensinados aos “melhores” alunos perspectivas para decifrar uma pintura!

Uma obra de arte, pintura, arquitectura ou escultura tem sempre a marca do autor ou autores. Tal criador compreende a sociedade nos seus lados elementares. Um artista tem sempre a ideia da obra que pretende compor; combater o estado da sociedade; tentar solucionar alguns aspectos, como o analfabetismo crescente e os alfabéticos marginalizados de muitas autoridades. Não deve matutar que este mundo é perfeito! Não pensar apenas em si e fazer da arte profissão, andar de moda em moda, a ganhar bastante dinheiro, enquanto a realidade piora!

Se és Escorpião de signo, como sabes, eu sou Touro: fomos feitos um para o outro; tanto no amor como na arte, minha beleza! Com vontade dos dois, estará um estilo à nossa espera? Pensa nisto, minha querida! Tudo que eu te proponho é sempre para o teu bem, ou melhor, para nosso bem – e é conveniente conversar sobre eventuais e como artistas plásticos em torno desta proposta. O dinamismo teórico não serve para nada sem acções materiais. Por isso, meu amor, vamos  trabalhar… Esta é a primeira carta de amor que escrevo! Não é uma vulgar carta de amor; é a carta de amor ao meu amor presente, pensado no passado, sentido aqui e imaginado para o futuro.


Ah, a Alice! A Alice foi durante este Verão a garota com pude dar e receber afectos e satisfação! Tens que reparar que a inconstância do amor do homem é o contrário da mulher; enquanto o homem, heterossexual, é facilmente excitado por qualquer linda mulher sem deixar de amar a sua namorada, mulher ou amante,  as mulheres funcionam de forma diferente, como sabes. Naturalmente um homem pode querer outra mulher ser querer mudar de fêmea e, naturalmente, quando a mulher muda de macho é sinal que não ama, ou mesmo odeia, o seu companheiro. Uma transa do homem como uma nova amada fortalece o amor entre o casal; uma mulher, ao galgar com um intruso, naturalmente, assassina o amor do casal. Uma mulher capaz de tal acção – ao contrário do homem – troca de marido ou companheiro. Se alguém te dizer que ando com outra mulher, das duas uma: provavelmente é mentira ou então é um imprevisto impulso masculino que reforça mais o meu amor por ti!
Ao pensar nas palavras que escrevo sobre ti, lembro-me da raridade do longo e alvoroçado amor e até da sua quietude; na forma como me quisestes dantes, da forma como me quereres agora, lembro-me do teu corpo e desejo-te… Hasta luego, hermosa muchacha...

quarta-feira, 20 de março de 2013

Neoliberalismo de uma espécio de governo - a história


Embora o termo tenha sido cunhado em 1938 pelo sociólogo e economista alemão Alexander Rüstow, o Neoliberalismo  só ganharia efectiva aplicabilidade e reconhecimento na segunda metade do século XX, especialmente a partir da década de 1980.O Neoliberalismo ganharia força e visibilidade com o Consenso de Washington, em 1989. Na ocasião, a líder do Reino Unido, Margareth Thatcher, e o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, propuseram os procedimentos do Neoliberalismo para todos os países, destacando que os investimentos nas áreas sociais deveriam ser direccionados para as empresas. Esta prática, segundo eles, seria fundamental para movimentar a economia e, consequentemente, gerar melhores empregos e melhores salários. Houve ainda uma série de recomendações especialmente dedicadas aos países pobres, as quais reuniam: a redução de gastos governamentais, a diminuição dos impostos, a abertura económica para importações, a livre entrada do capital estrangeiro, privatização e desregulamentação da economia.

 

O objectivo do Consenso de Washington foi, em certa medida, alcançado com sucesso, pois vários países adoptaram as proposições feitas. Só que muitos países não tinham condições de arcar com algumas delas, o que gerou uma grande demanda de empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Logo, criava-se todo um sistema de privilégios para os países desenvolvidos, pois as medidas neoliberais eram implementadas sob o monitorização do FMI e toda essa abertura económica favorecia claramente aos países ricos, capazes de comprar as empresas estatais e de investir dinheiro em outros mercados. Por outro lado, o argumento de defesa do Neoliberalismo diz que a abertura económica é benéfica porque força à modernização das empresas. Entretanto, é preciso lembrar que muitas dessas empresas não tinham condições de se modernizar com tamanha rapidez e com tanto investimento, o que resultou em muitos empréstimos, incapacidade de pagamento, dívidas em crescimento, falência e, por sim, desemprego.

Do blogue: “A Espuma das Palavras”

terça-feira, 19 de março de 2013

O natural é óptimo!


Da beleza da natureza ninguém se pode queixar. Se alguém hesita nesta inexplicável força que nos rodeia, ou é inconsciente ou anda muito alheado da vida! Desta interligação de uma simples arbusto até à molécula de uma rosa pouco bravia, apesar dos graciosos bicos do ramo que a sustenta; da energia pura e daquele natural som ou silêncio de uma borboleta, de uma abelha; do rasar de árvores ou da queda de uma pinha. É evidente que tais sentimentos só vivem e dão fruto naquelas pessoas que sentem o amor natural pela da natureza. A natureza, ainda mais bela, intacta e pura, é no “mar” de Mansores, serra da Freita e olhar os tesouros no centro de Arouca.

In “O Tesouro do Mar de Mansores” de José Santos

Bonito viver...


Contente, Zé Carlos disse:

‒ O mundo em que vivemos é o mundo da realidade! Há aspectos que no agradam ou não; geralmente avaliamos aquilo que conhecemos! As lindas, gostosas e compadecidas palavras que, logo, ou mais tarde, se transformam no seu contrário, enganando os seus subordinados! É cobardia ver, ouvir, ler, compreender e ficar calado! Enquanto os que vivem em bairros de lata, ou paredes sem lata, tiverem que sustentar os seus dirigentes, que moram em palácios, as relações dos seres humanos serão iguais apenas ao nascer e morrer. Será necessário inventar outros divertimentos, para o tempo presente e futuro próximo.

In “O Tesouro do Mar de Mansores” de José Santos

segunda-feira, 18 de março de 2013

Não, não querem aprender...


Há oitenta anos, por estes dias, a primeira semana de Março de 1933 acabou numa sexta-feira, dia 3, e com ela um velho mundo estava a ruir nos Estados Unidos da América.

Os bancos do estado do Michigan estavam fechados, e muitos falidos, há três semanas. Os de Maryland fecharam pouco depois. Na primeira manhã do mês foram os do Kentucky e do Tennessee; à noite já tinham fechado os da Califórnia, Luisiana, Alabama e Oklahoma.

Três dias depois estavam encerrados os bancos de 38 dos 48 estados dos EUA; os depositantes não tinham acesso às contas, os patrões não tinham como pagar os salários, os clientes não tinham como pagar as compras, as lojas estavam vazias.

No dia seguinte, sábado dia 4, cujo 80.º aniversário foi há uma semana, foi empossado o novo presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt. O seu discurso inaugural é muitas vezes citado por dizer que “só temos a temer o próprio medo”.

Mas há um momento melhor: “não fomos atingidos por uma praga de gafanhotos”, diz Roosevelt, desprezando que se pudesse explicar o cataclismo financeiro como uma inevitabilidade, uma fatalidade, uma calamidade à qual só havia que vergar a cabeça e aceitar as consequências.

 a retalho e de investimentos, e que se não tivesse sido desfeita no fim do século XX talvez nos tivesse poupado à magnitude da presente crise.

A 12 de Março  fará amanhã anos, Roosevelt falou pela rádio e explicou aos americanos que passos tinham sido dados para fiscalizar e reformar os bancos, mas foi claro ao dizer que só se saberia o resultado quando houvesse mais gente a depositar dinheiro do que a correr aos saques. Os dados estavam lançados, e Roosevelt foi deitar-se.

No dia seguinte havia que acabar com a Lei Seca.

E no dia depois desse havia que começar a dar trabalho a milhões de desempregados, de pedreiros a artistas. Em poucos meses foram plantadas mil milhões de árvores, reparados milhares de quilómetros de estradas, pintados murais em centenas de estações de correios (por serem edifícios federais), etc. O que fosse necessário fazer era feito.
O que aconteceu, explicou ele, foi que “os mandantes das transacções de bens humanos fracassaram pela sua teimosia e a sua incompetência”. A crise era um falhanço humano; onde falham uns humanos outros podem acertar.

Roosevelt recolheu aos aposentos, e nessa mesma noite deu ao seu Secretário do Tesouro cinco dias para preparar uma “lei bancária de emergência”.

Na tarde seguinte, domingo dia 5, emitiu dois decretos: o primeiro convocando o Congresso para uma sessão especial dali a quatro dias; o segundo declarando um “feriado bancário nacional” durante o qual se fiscalizariam as instituições financeiras para separar as ilíquidas das insolventes. No dia 9, quinta-feira, ainda os congressistas novos não tinham encontrado os lugares no hemiciclo nem o Secretário do Tesouro tido tempo de fazer as cópias da sua proposta de lei, o documento foi lido em voz alta e aprovado. Foi o início de uma reforma bancária que sobreviveu quase setenta anos, com a separação entre banca
Há exactos oitenta anos, o New Deal de Roosevelt foi uma das grandes vitórias da política — do governo do povo, pelo povo e para o povo — sobre as supostas fatalidades da economia, e de caminho evitando os horrores do fascismo. Aprendam que não é tarde.” - Rui Tavares

sábado, 16 de março de 2013

O melhor destino, para quem gosta de caminhar


‒ Aqui – disse Amélia – é a terra das rochas invulgares!

‒ Talvez… ‒ pondera o homem de Arouca ‒ no nosso concelho, há as pedras parideiras, que os geólogos já conseguem explicar. Pedras parecidas com este triângulo não existem, ou não são conhecidas pelas entidades competentes. Olha, aqui, este manual:

“O Geopark Arouca, correspondendo à área administrativa do Concelho de Arouca, é reconhecido pelo seu excepcional Património Geológico de relevância internacional, com particular destaque para as Trilobites gigantes de Canelas, para as Pedras Parideiras da Castanheira e para os Icnofósseis do Vale do Paiva.

O valioso e singular Património Geológico inventariado, cobrindo um total de 41 geossítios, constitui a base do projecto Geoparque Arouca, aliados a uma estratégia de desenvolvimento territorial que assegurará a sua protecção, dinamização e uso. Em simultâneo e em complementaridade, associam-se outros importantes valores como os arqueológicos, ecológicos, históricos, desportivos e/ou culturais e ainda a promoção da etnografia, artesanato e gastronomia da região, tendo em vista a atracção de um turismo de elevada qualidade baseado nos valores da Natureza e da Cultura.

Muitos destes sítios de interesse encontram-se integrados na intensa Rede de Percursos Pedestres, num total de 13, numa perspectiva de valorização e divulgação e promoção deste inestimável património.”

 

prática partidária, em Portugal!


O regime e prática partidária, em Portugal, estão descoloridos, podres e com bandidos. Os actuais partidos têm privilégios que são um escândalo perante as dificuldades do país, dos cidadãos e das empresas. Entre esses privilégios figura o de repartirem entre si dezenas e dezenas de milhões de euros anuais provenientes do erário público. Por isso, quantos mais partidos houver maior será o risco de diminuir a fatia que agora cabe a cada um.

Há segredos entre deputados que não convêm partilhar, visto que aquilo a imprensa, na ânsia de mais vendas, espalha! Hoje sabe-se:

1 - O maior roubo de um governo a um Banco de - 1985 a 95 - foi com os mesmos cinco partidos no parlamento;

2 – O director do Banco de Portugal foi, antes, secretário-geral de outro partido, sabia de tudo, calou-se com a sua recompensa;

3 – Foram comprados submarinos a preço de ouro; o país vendedor julgou este estratagema, aqui não;

4 – O partido político de tanto falar em trabalhadores, propôs que os juízes jubilados, ao contrário de outros trabalhadores – este são reformados – não perdessem o subsídio de férias e 14º mês de pensão e

5 – Aquele escalado de uma deputada, se diz da extrema-esquerda, ao usar o carro e condutor parlamentares, para uso numa festa, costeada pelo dinheiro dos contribuintes.

As pessoas honestas, que quase todos os partidos têm, cada vez menos, perdoar-me-ão.   

Por outro lado, a participação política constitui hoje, em Portugal, um monopólio partidário. E, se cada vez for mais difícil constituir partidos políticos, cada vez mais os cidadãos se afastarão da desejável participação na vida política, com todas as consequências que isso terá para o enfraquecimento e desprestígio das instituições democráticas. Servi-me das palavras de António Marinho e Pinto, sobre o facto de TC não autorizar outro partido politico - O Movimento de Alternativa Socialista (MAS).

sexta-feira, 15 de março de 2013

De "Crónicas do Rochedo"

"Estou doente desde quarta-feira mas hoje, quando soube das novas medidas de austeridade, das novas previsões que confirmam mais falhanços na política deste governo, com aumento brutal do desemprego, agravamento da recessão, aumento da austeridade e prolongamento das medidas já tomadas, vi uma luz ao fundo do túnel: o objectivo deste governo não é salvar o país; é destruir as pessoas.
Esta corja de incompetentes agarrados ao pote tomou o freio nos dentes, vive no seu mundinho de compadrios, de trocas de favores, de corrupçõezinhas, de negociatas,de política rasteira e está-se nas tintas para os portugueses. Limitam-se a obedecer cegamente ao trio de agiotas filhos da puta, riem dos seus próprios erros e continuam a construir o seu futuro sobre os destroços do país, à custa da miséria dos portugueses.
Por isso, enquanto o PR foi buscar cogumelos mágicos a Trás os Montes ( o governo fechou as smart shops e Cavaco não teve outra alternativa, senão fazer-se à estrada) eu senti uma revolta a crescer dentro de mim. A febre baixou por encanto, as dores aliviaram e até recuperei as forças. Levantei-me da cama e decidi ir à manif. Antes que eles nos matem!
Como o meu problema é uma gastroenterite, além do lenço branco, vou ter de levar uma rolha mas, quando chegar à porta da residência do coelho tiro-a. Depois, talvez tenha sorte e consiga limpar o rabo a um tufo de relvas que ande por ali.
Em tempo: quem não tiver lenço branco à mão, pode levar papel higiénico!"


Há dias maravilhosos!

‒ Senhora dona Maria Agustina, só hoje soube o nome da minha avó, só soube hoje que onde nasci. Soube que serei, tudo indica, proprietária na terra onde nasci; não me vou embriagar pela minha extensa ingenuidade! A senhora tem razão: está feito, está feito! Com a senhora ganhei uma força mental diferente, que me faz pensar em mim e nos meus amigos! Para conseguir um encontro com o Mário, precisei de fumar haxixe, motivada pela minha timidez e hesitação! Doravante não preciso de drogas, para zelar pelos meus interesses! Há dias em que se aprende por anos, como o dia de hoje! Tenho amor e ódio para retribuir! Ao ouvir o que senhora disse, aumentei o amor pelo Mário e ampliou o ódio, aos meus tios. Para começar vou seguir os seus conselhos…

Governo a roubar; presidente na toca de um palácio


Havia alguns vizinhos meus que afirmavam, que a culpa da ditadura não era do Salazar, era da PIDE; o meu avô avisava-me que quem criou a PIDE foi Salazar, e, por isso, era ele o responsável máximo pelo regime do Estado Novo. Nunca tinha pensado nisto, até um agente da PIDE ser designado ministro da finanças, primeiro ministro e presidente da república, com votos e tudo. E, porquê?!

Ele quando não sabe, inventa tabus; para desprezar este povo, sem tabus, reparem: o menosprezo ao PM, José Sócrates, como toda a gente informada sabia, num Portugal com tanta gente iletrada, desconhecedora e acritica, apostou a sua infuência aos neo-liberias da sua cor.

Para um acerto de contas maior, manda o governo sem maioria parlamentar pedir um empréstimo na U.E., muito bem acompanhada pelo F.M.I. que tomem conta de Portugal. E tomaram…

Este pais está nas mãos de gatunos que nunca souberam gorvenar. Os vícios de PPC, que faz de PM, continuam e os rapazitos e garotas no governo roubam à vontade e de governo nada! É evidente que não querem, mas se desejassem, não sabiam!

Os jovens emigram, os desempregados aumentam, os velhos pobres – como uma pelintra pensão - morrem, de fome e de miséria; os suicídios aumentam. O agora, presidente, fura-se no palácio real e não admite dizer que, durante dez anos, de 85 a 95 como PM, chefiou um bando de ladrões que, apenas, num banco roubaram – dizem – mais de sete mil milhões de euros. Quanto ao sete mil milhões, toda a gente está de acordo, mas o resto? São mais ou menos que sete mil milhões? Mais eram 40 ladrões, não; eram mais!

O presidente deixa aumentar esta política assassina que ele próprio criou; a sombra que ocupa o pálácio de Belém, mostra-se inapto de admitir qualquer acção dos temas actuais. A miséria de um população, parece que lhe dá prazer… até quando?

quarta-feira, 13 de março de 2013

Tantos doutores portugueses - por um Português


Aquele trolha, aqui chamado Carlos, encontrava-se contente com os resultados obtidos naquele dia de trabalho: o muro ficaria rapidamente pronto, sem defeitos e nem o sol ao bater-lhe adulterava a precisão da talocha, da colher, da cortiça, da escova e do pincel daquelas experimentadas mãos.
O muro que tinham rebocado antes tinha de altura máxima um metro e vinte, mas este tinha mais de dois metros. O pedreiro que o construiu dizia isso e também que não tinha licença. Enfim, além do mais o pedreiro já recebeu o preço da sua empreitada e, neste momento, isso era o mais importante de tudo.
Quanto ao resto, é evidente que Câmaras Municipais, em Portugal, há mais trezentas, Juntas de Freguesia acima de quatro mil (que formam a base da estrutura estatal), os seus membros, desde Presidente de Junta de Freguesia, secretários, tesoureiros e vogais, a Presidente, sete vereadores e conselheiros camarários sem fazer nada - ganham dinheiro como príncipes –, têm mais direitos que outros cidadãos.
O muro vedava a quinta da Glória e esta delegara – por ausência do marido – no seu cunhado, o Sr. Presidente da Junta, a tarefa de reconstruí-lo, como fez o pedreiro; rebocá-lo, tarefa do trolha desta história, e pintá-lo de amarelo, que era moda, o mais depressa possível. Agora, licenças e cumprir as ordinárias leis, para quê?!. 
Era sexta-feira, o sol ainda esquentava apesar das cinco horas da tarde, amanhã só trabalhava meio-dia, depois era domingo: dia de descanso! Assim, o seu pensamento dava voltas aos quarentas euros diários, que agora o mandatário da sua patroa, Sr. Presidente da Junta de Freguesia, ia pagar amanhã à hora do almoço, finda a semana de trabalho.
Aquela senhora, cunhada do Presidente da Junta, continuava a olhar a roupa estendida nas pedras, nos pequenos arbustos, na erva, enfim, um coradouro. De repente, muito rapidamente, começou a virar a roupa ao contrário. Ao virar as cuecas do marido da irmã já coradas de sabão e sol de um lado, húmidas e tesas, botão da portinhola olhando para ela, olhou o trolha de relance. Aquele sacana nunca olha para cá, pensou! Era mentira! Enquanto se trabalha, trabalha. O trolha, ali, devia ser apenas trolha.
Havia amigos dele, trolhas como ele, que diziam que eram estucadores, mas ele rebocava paredes e tarefas afins; agora, até um muro: era trolha!
Não fazia como a maioria dos “doutores” em Portugal. Toda a população tem o hábito de copiar os seus dirigentes e o exemplo vem de cima, onde advogado é Doutor, o mecânico é Engenheiro, o desenhador é Arquitecto, o pedreiro é Empresário, etc. A esmagadora maioria da gente que dirige os destinos de Portugal é inábil e sem escrúpulos, desde membros de autarquias à superestrutura do Estado. Nesta roda viciosa o nosso desenvolvimento caminha, caminha e caminha para pior.
Várias vezes, o Carlos tinha olhado para ela. Isso é verdade, mas há verdades reclamadas e testemunhadas como há verdades esquecidas e abafadas. Depois há verdades que, pela contradição e incoerência humana passam, a mentiras.
Pois a verdade de o trolha ter olhado várias vezes foi ignorada pela ânsia da senhora que arriscou ainda mais. Curvar-se-ia novamente, mais perto dele, de modo dizer o que queria. Parece que valeu a pena, porque o trolha trabalhava mais devagar, olhava para um lado e para o outro, confuso, e evitava olhar para perto dela. Pelo relógio da igreja eram cinco e meia. Mais meia hora para começar a lavar a ferramenta e arrumar a tábua que servia de prancha naquele trabalho.
Mas aquelas coxas altas, aqueles segundos eróticos, com preto no meio, das calcinhas ‒ ou mesmo pêlos? ‒ outro “princípio da incerteza” de Manoel de Oliveira,  sombreavam-lhe a teia dos pensamentos e ilusões imediatas do trolha. Pensou em Catherine Deneuve, actriz em Paris; Catherine Deneuve, na noite no Parque Eduardo VII, de dia ministro em Lisboa, Canal 18, Sexy Hot, Playboy e... Glória, “meu antigo biscoito”.
- Carlos, Carlos, Carlos... ‒ Finalmente Carlos ouviu a chamar por ele, baixinho.
Vira-se em frente e na janela estava a senhora sorridente, que lhe diz:
- Anda cá, anda, vem depressa!
Ele andou alguns metros junto ao muro já rebocado, entrou no portão e estava a dois metros da senhora.
- Anda cá dentro beber uma cerveja! Não está cá ninguém...
- Mas... ainda não são seis horas, estou sujo e... a tua irmã?!...
A senhora não perdeu tempo, percebeu o erro e atalhou:  
- Olha, a minha irmã e o seu marido, meu cunhado Adolfo, estão em Lisboa até terça-feira e ficamos cá sozinhas: eu e o bebé mais lindo do mundo! Passa aqui às 10 horas para tomar café, está bem? É verdade, esta semana quem te paga sou eu. O meu cunhado enfiou o teu ordenado numa carta.
Ele percebeu..., ia dizer o quê?
- Está bem, está bem!
- Pronto, anda pelo carreiro de dentro da quinta às 10 horas em ponto e bate devagar na porta da sala; não acordes a menina!
- Está bem, estou aqui às 10 horas.
Rapidamente foi reposto no papel de trolha, mexer na argamassa colocando água e enchendo pelo meio a última gamela do dia. Segundo o relógio da Igreja eram seis e vinte e cinco quando entrou na carrinha para, como de costume, ir ao café beber um copo e conversar com os amigos. Amigos de infância, amigos da juventude, amigos de farras e não amigos de ocasião.
Olha o Carlos!
Boa tarde Carlos!
Oh Carlos, diz-me cá uma coisa. Como se chama aquela mulher de boca grande, do telejornal da TVI?
Pois, tinha que falar novamente dos caixotes que mudaram o hábito de pensar. Há um pensamento colectivo, uma anestesia ditada pelos grandes grupos económicos ou (poder central), que pensam, na essência, por nós; futebol, telenovelas, comentadores, por exemplo… Em vez da conjunção de vários factores e problemas colectivos, de fazer nascer ideias, agora surgem as ideias da TV para serem mastigadas e, com mais ou menos tempo, engolidas. Em vez de sermos seres humanos, cidadãos de pensamento livre, somos seres humanos, telespectadores com pensamento conduzido, pensou o Carlos.
- Então, Carlos, como se chama?
Como “cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas”, além disso eram amigos, Carlos respondeu:
- Desculpa lá, Neca! Olha, o nome dela é o feminino do teu: tu és Manuel e ela é Manuela, Manuela Moura Guedes.
- Mas ela não era deputada?
- Espera aí, Neca!
- Oh Joana, olá! Dás-me um paralelo e um rissol de carne?...
E vós pessoal: pedi que eu pago!
Todos ouviram.
“A conversa é como as cerejas, nunca mais acabam”. Mesmo assim, foi embora a tempo de tomar banho e comer em casa com a mulher e seu filho já púbere.
Bateu na porta da sala da casa da Glória, gerida pelo Sr. Presidente da Junta, às dez horas e quatro minutos, como viu no seu relógio. A porta foi rapidamente aberta, entrou e a porta rapidamente fechou. Ainda com a luz apagada, (“não acordes, dorme minha menina!”), em décimos de segundo tinha os lábios da Glória colados nos seus.
No “Portugal profundo”, ao arrepio da classe dirigente, santíssima monogamia: duas línguas, duas bocas, dois corpos reencontram e misturam-se…
Há meia dúzia de Câmaras Municipais que não tem o referido funcionamento, a quem peço desculpa. A Câmara Municipal da vila de  Arouca e Câmara Municipal de Montelegre me desculparão!...

segunda-feira, 11 de março de 2013

Esta moral


A moral imperante no ocidente, factualmente recente, defende a monogamia, a base da actual sociedade que somos forçados a cumprir. Apenas para exemplo, os deuses do Olimpo eram seis deusas e seis deuses (mesmo lenda, fica o exemplo) e ninguém pensava em casais monogâmicos! É bom numa sincera amizade haver a constância no amor pela natureza das mulheres e inconstância por parte dos homens, sem contrariar ninguém!

Com a mudança do matrimónio por grupos, por casamentos a duas pessoas, homem e mulher, os filhos deixam de ser filhos da mãe e passam a ser filhos do pai e, neste processo, começam a surgir gente pobre, mulher criada do marido, homem com grandes fortunas. Foi e é necessário salvaguardar a riqueza da gente rica que todos nós conhecemos na sociedade. Para prevenir a riqueza de poucos, seus barões, mais tarde outros herdeiros, foram forjados à máquina do estado e forças de seguranças. A humanidade, tantas vezes inocentemente, vai modificando aspectos inferiores, por enquanto…  

Minhas queridas meninas e meninos, estou aliviada pelo que disse e acabei o discurso! Grata pela atenção de todos, esta palestra termina com o último discurso da minha responsabilidade. Como porta-voz da dona Maria Rita, dona Etelvina e dona Maria Odete, embora hoje ausente. Dona Maria Rita e dona Etelvina, tudo indica que foi a última vez que pisámos este chão! Sempre que puder visitarei as minhas três amigas e recordarei, com uma, com outra ou com as três juntas, fragmentos de tantos momentos felizes. Com a ajuda dos nossos netos, dona Maria Rita, visitaremos a dona Sofia, mãe do José Carlos, há meses doente. Brevemente teremos connosco a dona Maria Odete. Há muitas coisas para falar e fazer, este dia com sol, de repente, passou a noite escura e, por isso, minhas senhoras, minhas meninas e meus meninos, a nossa intervenção é o término da sessão.

Aqueles caixotes...


Actualmente o grande capital, sem ou sem troika, dominado por homens e mulheres sem carácter cada vez mais violentos, os homens do roubo, são cada vez mais “donos” de tudo.

Há um pensamento colectivo, uma “anestesia” ditada pelos grandes grupos económicos ou (poder central), que pensam, na essência, pela população: Futebol, Fátima, telenovelas e os: Marcelo Rebelo Sousa, Miguel Sousa Tavares, agora Marques Mendes ou outros que pensam por nós. Superabundam aos olhos dos portugueses aquele lixo, os caixotes (TVs) para pensar pela gente.

Em vez da conjunção de vários factores nascer ideias, agora surge as ideias politicas ou ficcionais da TV para serem mastigadas e, com mais ou menos tempo, engolidas. Em vez de serem cidadãos de pensamento livre, o telespectador acaba com  a ideia conduzida, fica acrítico, burro e embrutecido: tão fácil de levar…

Enquanto Portugal durar com país independente, será o PSD ou o PS a comandar o governo. O CDS-PP está sempre atento e pronto a orientar ministérios (pilhar o erário público), o PCP procura essa oferta e o BE começa a pedir ao PS.

Nós, todo o portugues, andamos a alimentar essa bandalheira que vive abastada como o nosso voto. Alerta, o precipício é aqui…

 

Este artigo é de Agosto de 2012:

Contra ele existe uma ordem de prisão internacional procedente da Suíça apesar de, no passado, a sua informação ter servido para descobrir, em toda a Europa, milhares de casos de evasão fiscal e trazer à luz do dia cerca de 10 mil milhões de euros que estavam por tributar. (aqui)

 Sublinho, em toda a Europa, conseguiram recuperar 10 mil milhões. Como termo de comparação, pelas últimas contas, só o BPN irá custar aos portugueses mais de 7 mil milhões.

 Se pensarmos que o pobrezinho António Mexia, numa entrevista recente, lamentava-se do aumento de impostos que iria custar à EDP mais 80 milhões do que no ano anterior, repare-se quão distante está de 7 mil milhões!

 Aliás, o número é tão alto, tão alto, que nomearam um ex-BPN para o Governo - o Franquelim – como prémio por terem atingido tão alta fasquia.

 Ora, quando ouvimos dizer que os portugueses viveram acima das suas possibilidades (basta pensar no valor do salário mínimo ou no valor da maioria das pensões), dá vontade de fazer o quê? Não é preciso responder, porque a última sondagem fala por si (sim, sim, por si!).

 Para (ex)terminar, ainda vale a pena referir o tal corte no Estado Social de 4 mil milhões? Também não é preciso responder já que ninguém sabe como se chegou a tal número. Nisto dos números, acho que confio mais no bruxo de Fafe do que no bruxo do excel.

 (imagem: "Au pair girls" (1972), Real. Val Guest)
De " No Vazio da Onda"

domingo, 10 de março de 2013

QUERIDOS PORTUGUESES:


Até quando vamos ver as nossas crianças e, tantos pais, a passar fome, enquanto os  políticos em Portugal, desfilam em seus carros luxuosos, no banco de trás?

Até quando vamos ver familias em situaçoes precarias enquanto o governo desfruta dos impostos de quem trabalha cá, anda quase meio ano para pagar?

Ate quando vamos permitir que eles calem nossas bocas como se nossa opiniao e necessidade, como ser humano, seja desconsiderada?

Não podemos deixar o nossa sistema bloqueado pela máquina do estado não nos ouçam, nao vamos sujeitar-nos  ao poder neo-liberal, que uns fazem hoje e amanhã outros, como a sujeira do todos os partidos, das falcatruas que esses porcos fazem todo dia ...

Vamos lutar com a nossa voz, agora, é pequena, mas temos vontade de justiça, vontade de igualdade, vontade de respeito; se muito mais pessoas fizerem como nós, teremos outra forma de fascismo – um fascismo à portuguesa.

Somos cidadaos, que espera um pouco de vós, estamos no mesmo barco e o  sofrimento é o mesmo. É necessário, uma resposta para a troika e os moços, ou lixo que nos governam e deixam governar. Enquanto estamos neste embarcação, eles andam de iate,  de avião a gastar a nosso dinheiro!  

É bom saber…


(…)Fica para depois! A juventude é um período muito curto no espaço do tempo de uma vida; sempre que desponta o momento de dar e receber prazer, é necessário aproveitá-lo nesse instante. É intuitivo: para fazer alguém feliz, é necessário amar a si próprio, da mesma forma que amamos o amante, pelo menos naquele momento. Não abafar os desejos do outro e alongar, com quietude, a conciliação dos orgasmos. Este arranjinho feminino foi fabricado por estas seis mulheres, de acordo com as oportunidades na altura existentes. Seis mulheres saciaram seis homens; seis homens saciaram seis mulheres e os doze dormiram saciados, na casa nobre, na casa antiga, no palheiro e num cesto! Tomaram banho a horas diferentes tal como o pequeno-almoço.(…) Pag. 172

“O Tesouro do Mar de Mansores”- de José Santos. Está escrito, preto no branco!

Aconteceu, mais de 15 anos da sua morte! É bom saber...


sábado, 9 de março de 2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

O que penso que sou...


Repararam do Mário estas três mulheres: É esta a imagem que a sua avó faz de um rapaz: um bom rapaz e um rapaz bom! Este rapaz na boca da mãe era tratado por homem – enfim, aspectos secundários, será melhor que o Mário seja aqui tratado por rapaz, visto ser apreciado pelos seus vizinhos como um objecto da avó. O neto recusou sempre auxílio para amansar a energia selvática do seu temperamento. Sem conflito, pela paz interior do neto, ela sabia que ele tinha os desejos aliviados e ficava bastante satisfeita. A sua tarefa de protecção seria diferente e recuada. Aquele rapaz – seguro de si – estima os amigos, avaliza as suas ideias e dá-lhes confiança; rapaz que sorri, ri, fala e ouve. Sem dogmas, boa cultura geral. Transforma a teimosia em folia, graceja e mendiga perdão. Pelo palpite, atrevimento, actuação teórica e prática, é-lhe fácil ser líder e agradar tanto a homens como a mulheres. Sem o saber, essa tarefa estava a acontecer nesta reunião. Daquilo que pode apartar da vida, tira o melhor para si e amigos.

quinta-feira, 7 de março de 2013


Há um perigo e uma ameaça profundas: o povo portugueses – muito dele - começam a deixar de gostar de si, sobretudo os votantes e amigos, e em Portugal. Reparam que presidente e governo ultrapassam as medidas da troika esmagando a gente que trabalha, ainda, neste país ou os reformados, fruto do seu trabalho honesto!

segunda-feira, 4 de março de 2013



Para adoçar esta operação, ou mudar de tema, será melhor falar do pão-de-ló! O pão-de-ló de Arouca quase a chegar à mesa, como parte do lanche. Em Aveiro há as três iguarias mais deliciosas do mundo, em disputa directa e saudável: pão-de-ló de Arouca, pão-de-ló de Ovar e ovos-moles de Aveiro! Se tais guloseimas fossem oriundas da capital do país, seriam – ainda – mais famosas, mais faladas e mais apregoadas. Quem visita a Serra da Freita para contemplar a Frecha da Mizarela, as pedras parideiras sente a sua pequenez perante um bocadinho do mundo. Um visitante da capela da Senhora da Mó, para olhar Arouca de cima, tem o compromisso de saciar as suas glândulas gustativas – com apenas uma fatia de pão-de-ló, tão pertinho – nas montras das confeitarias no centro, ou perto, em Arouca. Quem visita o carnaval em Ovar, passa uma noite de verão no Furadouro ou vai a um museu tem, perto de si, aquele pão-de-ló macio e lânguido que pode pedir uma colher para ajudar a comê-lo. Ao percorrer a cidade de Aveiro, para ver a sua ria no centro da cidade ou dar um passeio de BUGA (Bicicleta de Utilização Gratuita de Aveiro), tem ao seu dispor um pequeno biscoito – tão pequeno como o seu custo – e o seu desejo de andar de bicicleta aumenta como a sua paz interior. Muitas vezes, são um saber alcançado tão docemente!

Claro que isto é um resultado do convento e das freiras que transpôs as paredes dos conventos, ficando as vizinhas com seus segredos e costumes do ponto de vista gastronómico. Tantos anos passados, só ficaram o melhor que tinham as freiras de Arouca, Ovar e Aveiro.

sexta-feira, 1 de março de 2013

AQUELE BEIJO


‒ Repara no lado esquerdo e verás a água salgada da ria. Mais quinhentos metros e estamos na Torreira, estou morto para te ter ao meu lado, mais perto de mim…

Como não havia trânsito, nem sinais – qual pisca-pisca – virou para o lado esquerdo, travou e estava o carro estacionado. Abriu a porta, saiu do carro e abriu a outra porta e, daí, saiu a sua Lia.

 Olhando um para o outro, abraçaram-se. Ou ele tinha crescido ou ela mingado, tal parecia no primeiro impacto. Deram a mão um ao outro e foram observar a ria. Sentaram-se no paredão, virados para a ria, perto do embarcadouro, com barcos de recreio e barcos de pesca. Não havia ali o moliceiro, o barco característico desta ria.

 Olharam ao mesmo tempo para o lado esquerdo e para o lado direito: tanta água! Ergueram os olhos e, daquela margem, contemplavam a outra. Ao observarem-se um ao outro, levantaram-se: a Lia pôs o rosto no ombro dele, as mãos dele delicadamente tocaram o rosto dela. As mãos de um tocavam no rosto do outro. Ambas as bocas abertas, enviesadas. Amélia cravou as unhas nas costas sob a camisa dele. Mil vezes mais rápida: encostou os seus lábios nos lábios dele.

 As línguas não se largaram. Carícias nos rostos, os corpos cada vez mais apertados. Ele assentou o joelho esquerdo entre as pernas abertas, apenas o que a saia permitia, com a dobra muito repuxada, subindo tudo o que podia. Ela mexeu-se várias vezes sem complexos. Ele sentiu várias vezes a fendinha dela, um lábio vaginal de um lado, o outro lábio vaginal do outro. O que a sua perna sentia informava o cérebro e, como o corpo é uno, todo ele estava embalado nesta agitação. Com o prazer que ela sentia nestas posições, apertava-o mais, portanto. Também o gozo dele aumentou e aumentou mais quando ela, finalmente, conseguiu apalpar o pincel dele, endireitado! Já não era possível encontrarem-se mais, serem dois num só corpo. Apesar disso tentam, e há pelo menos o prazer que ambos sentem.

 Um vento forte pôs-se a assobiar, com cheiro a iodo, e a abanar os barcos, causando pequenas ondas na ria: um ruído suave, acariciante como uma lufada de ar macio, como se veludo lhes fosse passando pelas cabeças… Aquele fiozinho de água, que o vento arrastou depois de embater num rochedo, foi razoável para terem a noção do tempo gasto num beijo. Beijo muito saboroso e princípio lúbrico e histórico. Voltaram a sentaram-se no paredão, mesmo humedecido. Passaram muitos minutos a repararem um no outro: ambos descobriram ângulos distintos que não conheciam.