quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O espectáculo.prosseguia






(…) Antes da meia-noite, o espectáculo prosseguia. Novamente, um ritmo tocado de modo diferente, para agradar aos lobos, a cena repetiu-se, auuu, auuu, auuu perto de si, auuu, auuu, auuu, auuu, auuu, auuu afastado do palco.

A pianista percebeu que o recinto para homens era muito longo e estava apinhado de gente, sentia os seus amigos na sua frente deslumbrados, faltava pouco para o fim e a forma de despedida para lobos achava-se, ali, no fim do concerto e, mesmo contra a sua vontade, começou o princípio do fim: auuu, auuu, auuu no palco, auuu, auuu, auuu, auuu, auuu, auuu num lugar que os lobos escolheram, só a pianista entendeu, mas, o concerto tinha terminado.

Odete levanta-se rapidamente, mima e é mimada pelo primeiro lobo a chegar ao palco, há duas horas, nhee, nheeeee, iam sussurrando. De repente as quatro luzes públicas acendem-se. Aaauuuuuuu, todos os lobos – incluindo o do palco — se juntam no muro vigiando uma carro; só agora os flashes podiam ser usados, foi respeitado o pedido, agora todos os flashes são necessários para fotografar ou filmar este propósito. O senhor Lobito e Arlindo orientaram vários polícias para a deformada carrinha, colocada aqui pelos lobos; três lobos correram e se despediram da pianista, voltando para junto do outros, na floresta; a missão dos lobos estava cumprida. (…)

Pag. 220, de “A PIANISTA DOS LOBOS”, este vosso amigo é o autor e a Chiado Editora tem exemplares à venda.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

“A PIANISTA DOS LOBOS”





(…) Se um pensamento recordado ficar sem conclusão, por adversidades ou mudança das condições não reflectidas na altura, o andamento da natureza não pára, nem sequer faz intervalos para descansar ou hibernam como alguns animais. Os outros seres a que chamamos inanimados, também têm sustento que, geralmente escapam à pressa do nosso viver; quem perceber a sua existência como um elo, nesta multidão, respeitar os outros, quem honrar, reparar na beleza e maravilhas dos montes, rios, serras ou vales, não terá uma passagem tão curta como tantas vezes se diz e julgará: esta vida é única mas sublime!(…)

Pag. 113, de "A PIANISTA DOS LOBOS"