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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Escrevia M. A. Pina em J de N.


“Quando ontem aqui escrevi que Cavaco Silva terá dito a um jornal holandês que [os portugueses] foram "demasiado negligentes" e estão hoje a sofrer as consequências de "uma vida fácil", negligente fui eu, que me fiquei pelo "lead" da notícia da RR sobre a entrevista ao "Financieele Dagblad".
Na verdade, Cavaco falou de "negligência" a propósito de não terem sido devidamente avaliados os efeitos de o país deixar de ter política cambial própria com a adesão ao euro; e de "vida fácil" a propósito do excessivo investimento em bens não transaccionáveis após essa adesão.
A questão central, no entanto, permanece: a facilidade com que os políticos, Cavaco incluído, afirmam "os portugueses isto", "os portugueses aquilo", omitindo a que portugueses se referem.
Ora quem foi "demasiado negligente" e quem viveu e vive "uma vida fácil" não foram "os" portugueses, foram as elites político-partidárias do PSD, PS e CDS que governaram e governam o país, saltando entre o Governo e a administração de grandes empresas, com as quais não raro, no Governo, previamente subscrevem contractos de milhões ruinosos para o Estado.

E quem, por imposição dessas mesmas elites, está a pagar a sua negligência e a sua vida fácil são os "outros" portugueses, principalmente os pobres e as classes médias, cuja vida nunca foi "fácil" e se tornou hoje ainda mais difícil, quando não impossível, de viver.”




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