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domingo, 22 de dezembro de 2013

Já dizia Eça!














O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura
inquietadora, cheia de angústia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, é a desconfiança.

O povo, simples e bom, não confia nos homens que hoje tão espetaculosamente estão meneando a púrpura de ministros.
 Os eleitores não confiam nos seus mandatários, porque lhes bradam em vão: «Sede honrados», e vêem-nos apesar disso adormecido no seio ministerial.

Os homens da oposição não confiam uns nos outros e vão para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de ameaça. Esta desconfiança perpétua leva à confusão e à indiferença. O estado de expectativa e de demora cansa os espíritos.
Não se pressentem soluções nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discussões aparatosas e sonoras; o país, vendo os mesmos homens pisarem o solo político, os mesmos ameaços de fisco, a mesma gradativa decadência. A política, sem actos, sem factos, sem resultados, é estéril e adormecedora.















(Póvoa de Varzim, 25 de novembro de 1845Paris, 16 de agosto de 1900)

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