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terça-feira, 30 de agosto de 2011

LÍBIA: milhões de mortos pelo petróleo! França, Inglaterra e Qatar em primeiro...





Líbia. A luta pelo petróleo começou ainda antes de a guerra pelo país acabar


por Sara Sanz Pinto, Publicado em 30 de Agosto de 2011
Actualizado há 14 horas

Itália, França, Reino Unido e Qatar partem em vantagem devido ao apoio explícito aos rebeldes



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Muammar Kadhafi está em fuga, a cidade natal do líder líbio ainda não foi tomada, mas as potências internacionais já estão no terreno para garantir o seu quinhão das riquezas do país. E quem mais ganha é quem mais próximo está do Conselho Nacional de Transição (CNT) para a Líbia. Itália, França e Reino Unido - países que mais ajudaram os rebeldes a derrubar o regime do coronel e os primeiros a reconhecer o CNT (braço político da oposição) como governo legítimo do país - apresentam já claras vantagens no terreno, bem como o Qatar que, além da Al-Jazeera, muito contribuiu para o sucesso da revolta.



Na semana passada, segundo a Euronews, os rebeldes falaram em dar 35% dos novos contratos de exploração aos franceses. À espera de proveitos estão também as gigantes britânicas BP e Shell e a italiana Eni. De acordo com a agência Reuters, o director-executivo da Eni, Paolo Scaroni, esteve ontem reunido com o CNT no Leste da Líbia, sendo o primeiro empresário a visitar o país desde que a oposição assumiu o controlo da capital, Trípoli. "Ele está em Benghazi num encontro com o director da Empresa Nacional de Petróleo. Estão a discutir os interesses da Eni na Líbia", afirmou o porta-voz do governo, Shamsiddin Abdulmolah. Horas mais tarde, o acordo que "reforça a cooperação na Líbia" era anunciado pela empresa italiana, que detém um terço da Galp.



Quanto ao Qatar, diga-se que o número dois do CNT, Mahmoud Jibril, passou grande parte do conflito na capital do pequeno emirado árabe, Doha, a gerir o lado político e diplomático da ofensiva contra Muammar Kadhafi, no poder há 42 anos. "Isto mostrou quão rapidamente a política do Qatar pode mudar - num minuto apoiava o líder líbio, no minuto a seguir estava a liderar a acusação árabe contra Kadhafi", afirmou um antigo diplomata sedeado em Doha ao "Financial Times". Além do petróleo, as empresas qatarenses estão de olho nos milhões que se podem ganhar com a reconstrução do país.



Já a China e a Rússia multiplicam-se em ameaças diplomáticas. A abstenção no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Março, quando foi votada a resolução que abriu caminho a uma intervenção militar no país, virá provavelmente a sair-lhes cara. "Esperamos que depois do regresso da estabilidade a Líbia continue a proteger os interesses e os direitos dos investidores chineses", afirmou recentemente o vice-chefe do departamento de Comércio chinês, Wen Zhongliang. A Unipec chinesa comprou em 2010 150 mil barris de petróleo à Líbia.



"Todos os contratos legais, quer digam respeito a petróleo e gás, quer a intermediários, vão ser respeitados. O novo governo não pode decidir se revoga ou não esses contratos", garantiu Ahmed Jehani, representante do CNT para a reconstrução, a semana passada.



"Quaisquer acordos a esta altura podem levantar suspeitas na Líbia de que o apoio internacional ao CNT é motivado pelo desejo de acesso ao petróleo", defende a organização não-governamental Global Witness, citada pelo "The Guardian". "O CNT terá provavelmente de honrar os contratos da era Kadhafi para obter as receitas do petróleo, mas não devem ser considerados novos acordos para a exploração de poços de petróleo até que um governo eleito possa rever as regras e leis existentes por forma a garantir uma sólida transparência e credibilidade", acrescentou.



Antes do início da guerra, em Fevereiro, a Líbia produzia 1,6 milhões de barris por dia, cerca de 2% da produção mundial. Segundo os analistas, o potencial do país, que detém das maiores reservas do continente africano, é muito maior e a riqueza neste recurso natural está muito subaproveitada. O petróleo líbio é caracterizado por ser "doce", ou seja, exige pouca refinação para poder ser utilizado.



Com o CNT a precisar urgentemente de dinheiro para cumprir as suas promessas, talvez não seja possível esperar muito mais. Como explica ao "National Journal" Frank Verrastro, do Center for Strategic and International Studies, "quem quer que esteja no poder vai querer trazer de volta as empresas [petrolíferas]".



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