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sexta-feira, 22 de março de 2013

A minha única carta de amor


Esta simples carta reflecte aquilo que respira todos os meus sentimentos. É a primeira carta que te escrevo! Devia tê-la escrito antes? Devia sim, Liazinha minha, mas nunca seria esta, nem parecida! Nem sempre fomos nós a actuar sobre a realidade! A realidade confusa em idades pouco mais que púbere adiou para mais tarde, e, assim, anexou duas metades de um corpo só! Esta é a primeira carta de amor que eu escrevo. Penso e espero que seja a primeira carta de amor que recebes…

Esta carta de amor tardia pretende ser convincente e ampliar – se possível for, a energia do afecto, das meiguices e do erotismo, guias do nosso amor! O insubstituível nunca se esquece quando o interesse da memória se remova com a vinda de um grande amor que nos completa. Completamente reconciliado, eis aqui o teu amado, querida Amélia! Não sou o teu Kandinsky que te admirava caladinho, olhando-te de esguelha, no parlatório, com as trajadas de puras, que se diziam tuas amigas. Não és mais a minha Monja da Rosas da faculdade, local interdito a um jovem opinioso, e eu, de puras, prezava apenas as putas e suas candidatas!

Os vícios que nos eram pregados foram arruinados na última meia dúzia de anos. Enquanto todas as alunas tinham a tua inocência, lisura e beleza para se expor, tentei que tu – a menina mais bela da turma e da universidade – me olhasses de frente e que falássemos apenas os dóis, sem a cambada das tuas colegas a utilizar-se e mamar da tua beldade, com ciúmes da tua perfeição. Ensaiei várias vezes chegar-me a ti e foste sempre a minha preferida, cara Amélia. Várias raparigas juntas em volta de apenas uma cristalina – como tu – são um abismo param um rapaz ou homem!

Ah! Nessas situações, como é bom convivermos apenas com os rapazes, falar de amor, de beleza e tomar um copo de vinho tinto, Amélia!

Sempre que as mulheres, a beleza ou o amor eram tema de conversa, lembrava-me sempre em ti e detestava as nossas colegas de aulas; sabia que havia de chegar a nossa hora. Muito tarde, mas finalmente chegou…

Todos os homens odiavam o teu trabalho… tanta falsidade! Uma verdade não deve ser revelada, se ninguém a acredita! As mentiras das gajas que te rodeavam todos os dias se transformavam em verdades. Estávamos destinados a namorar fora daquelas malditas paredes!

Como sabes, querida Amélia, fui muito maltratado durante os dois anos que faltavam; os dois anos em que mais trabalhei para exposições e encomendas, os anos da minha ascendência no mundo artístico! Os nossos colegas de curso, os tais das melhores avaliações, não inventavam e siguiam ao milímetro as explicações dadas, por exemplo, no alto do quadro, amarelo ou azul; do lado esquerdo, muito claro ou mesmo branco; no lado direito, encarnado ou violeta; em baixo da pintura, verde ao castanho, sem criação própria, beleza e fantasia que vão mais longe… É necessário amor pela andamento da pintura de uma tela:

 

A pintura,

Feita com tanto labor,

Com amor, suor e arte

Da vida do seu autor,

Leva no valor uma parte!

 

problemas, do que tê-los sem os discutir e, às vezes, devido a isso mesmo. Como já adivinhavas, vamos falar sobre a nossa actividad
Sem parte do nosso tempo de vida não há obra feita. Se não queremos fingir, é um bocado de nós, de nós próprios, que desaparece em qualquer tela que pintamos.

Em qualquer faculdade de belas artes se aprende a “ler” um quadro, como nos ensinaram, prezada Amélia. No lugar de criar autores, criadores e artistas de arte; foram ensinados aos “melhores” alunos perspectivas para decifrar uma pintura!

Uma obra de arte, pintura, arquitectura ou escultura tem sempre a marca do autor ou autores. Tal criador compreende a sociedade nos seus lados elementares. Um artista tem sempre a ideia da obra que pretende compor; combater o estado da sociedade; tentar solucionar alguns aspectos, como o analfabetismo crescente e os alfabéticos marginalizados de muitas autoridades. Não deve matutar que este mundo é perfeito! Não pensar apenas em si e fazer da arte profissão, andar de moda em moda, a ganhar bastante dinheiro, enquanto a realidade piora!

Se és Escorpião de signo, como sabes, eu sou Touro: fomos feitos um para o outro; tanto no amor como na arte, minha beleza! Com vontade dos dois, estará um estilo à nossa espera? Pensa nisto, minha querida! Tudo que eu te proponho é sempre para o teu bem, ou melhor, para nosso bem – e é conveniente conversar sobre eventuais e como artistas plásticos em torno desta proposta. O dinamismo teórico não serve para nada sem acções materiais. Por isso, meu amor, vamos  trabalhar… Esta é a primeira carta de amor que escrevo! Não é uma vulgar carta de amor; é a carta de amor ao meu amor presente, pensado no passado, sentido aqui e imaginado para o futuro.


Ah, a Alice! A Alice foi durante este Verão a garota com pude dar e receber afectos e satisfação! Tens que reparar que a inconstância do amor do homem é o contrário da mulher; enquanto o homem, heterossexual, é facilmente excitado por qualquer linda mulher sem deixar de amar a sua namorada, mulher ou amante,  as mulheres funcionam de forma diferente, como sabes. Naturalmente um homem pode querer outra mulher ser querer mudar de fêmea e, naturalmente, quando a mulher muda de macho é sinal que não ama, ou mesmo odeia, o seu companheiro. Uma transa do homem como uma nova amada fortalece o amor entre o casal; uma mulher, ao galgar com um intruso, naturalmente, assassina o amor do casal. Uma mulher capaz de tal acção – ao contrário do homem – troca de marido ou companheiro. Se alguém te dizer que ando com outra mulher, das duas uma: provavelmente é mentira ou então é um imprevisto impulso masculino que reforça mais o meu amor por ti!
Ao pensar nas palavras que escrevo sobre ti, lembro-me da raridade do longo e alvoroçado amor e até da sua quietude; na forma como me quisestes dantes, da forma como me quereres agora, lembro-me do teu corpo e desejo-te… Hasta luego, hermosa muchacha...

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