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domingo, 24 de março de 2013

O aspecto de uma Maria


Carla Maria tinha uma aparência requintada: vestido prateado com rosas coradas ventiladas nos ramos flexíveis, com tantas cores diferentes, com mais ou menos luz; cinto vermelho, pernas torneadas a notar-se até ao cimo; seios fartos e espevitados, rasando a idade juvenil; sobrancelhas delgadas e proeminentes, pretas, assim como o cabelo crescido, cortado dois centímetro acima dos olhos, atado perto do pescoço e inclinado sobre o ombro esquerdo, aquecendo o seu coração entre ambas as mamas,  e findando na cinta, preso com um laço vermelho que anunciava o umbigo. Tinha os lábios grandes e rosados, o nariz delicado e pouco comprido, os olhos grandes com pupilas pretas e enormes pestanas. Tinha uma beleza inata.

Esta Maria, terminou o curso de belas-artes, e ajudou o Mário no atelier, várias vezes, como modelo. Modelo aqui, modelo acolá, primeiro na cidade do Porto e depois em Lisboa voou longe. Em diálogo com o Emídio, começou novamente a pintar e andava contente com semelhante projecto. Pouco falou e pouco foram as palavras para si. O facto de viver numa casa na quinta do Emídio era um assunto interno. Sabia, perfeitamente, que tantos olhares de frente ou de viés seriam por ser desconhecida; ali apenas conhecia o primo e o Mário, mas não faria o mesmo, não olhava de soslaio para ninhuém… confiava!

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